Caixa se nega a debater regras para retirada de funções gratificadas

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Na negociação da mesa permanente com a Contraf-CUT, federações e sindicatos, realizada no dia 17/4, em Brasília, a Caixa Econômica Federal manteve-se intransigente e não aceitou debater uma proposta para tornar mais transparentes os critérios para retirada de funções gratificadas dos empregados. O banco alegou que não possui uma ferramenta para avaliação de desempenho, o que a impede de definir regras para fazer descomissionamentos.


A apresentação de um estudo sobre a retirada de função estava prevista no acordo coletivo aditivo firmado com a Caixa no ano passado. Os representantes da empresa trouxeram apenas um relatório das movimentações em cargos de função ocorridas em 2012 e informaram que o entendimento do banco é de que não se faz necessário definir normas.


A coordenação da Comissão Executiva de Empregados (CEE/Caixa), que assessora a Contraf-CUT nas negociações com o banco, protestou contra o posicionamento da Caixa. É preciso explicitar que motivos podem levar a empresa a retirar a função e evitar que os empregados sejam alvo da decisão unilateral do gestor. Essa questão foi objeto de negociação da campanha nacional de 2012, porque houve demanda por parte dos trabalhadores, que se sentem ameaçados por medidas tomadas com critérios desconhecidos.


Tesoureiros – Outra pendência do acordo coletivo debatida foi o plano de melhorias das condições de trabalho e de segurança dos tesoureiros. A empresa apresentou alguns encaminhamentos como a formação de turmas para fazer cursos de qualificação, que deverão ser iniciados até o final do mês de abril, sendo curso de 24 horas para tesoureiros e 12 horas para substitutos; criação do banco de habilitados para formação de tesoureiros, que já tem 8.057 inscritos, e uma proposta ainda em estudo de redução do tempo mínimo de empresa para substituir o tesoureiro, que passaria de um ano para seis meses.


A empresa informou que está dando continuidade a implantação dos corredores nas unidades para abastecer o autoatendimento e que por problemas de estrutura, houve dificuldade de instalação dos corredores em uma agência.


Marcos Saraiva, diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará presente à negociação, questionou essa informação, argumentando que a CEE/Caixa tem recebido denúncias de que o problema persiste em um número maior de agências. A Caixa ficou de averiguar os problemas citados pelos representantes dos trabalhadores. “É importante os empregados denunciarem às entidades sindicais condições de trabalho não condizentes com sua atividade”, completou.


Promoção por mérito – A Caixa manteve a posição de intransigência e não aceitou negociar a redução da carga horária de capacitação a distância da Universidade Caixa. Com isso ficou mantido o que prevê o acordo coletivo de 70 horas por ano, com a realização de 6 horas aulas por mês dentro da jornada. A empresa comprometeu-se a incluir no texto da cartilha de divulgação da promoção por mérito, a íntegra da cláusula para que todos os empregados tomem conhecimento. As regras serão divulgadas dentro de alguns dias.


Login único – A Caixa informou que até junho o login único deverá ser implantado nas agências. A ferramenta está em implantação nas superintendências regionais, matriz I e II e filiais. O login foi conquistado na campanha nacional de 2012 com objetivo de garantir o cumprimento e respeito a jornada de trabalho. Os empregados têm de acompanhar esse processo cuidadosamente e, se necessário, denunciar qualquer problema no novo sistema.


Ranqueamento de caixas – O coordenador da CEE/Caixa denunciou problemas nas condições de trabalho dos caixas. Segundo ele, está ocorrendo um verdadeiro ranking da atividade. Através de uma planilha, as superintendências estão levantando o tempo de atendimento, o número de autenticações feitas, entre outras informações. Os representantes da empresa disseram que vão averiguar a denúncia.


Escala de Revezamento – A Caixa apresentou uma proposta para a escala de revezamento. A CEE/Caixa vai avaliar e dar retorno à empresa nos próximos dias.


Conselho de Administração – Os representantes dos trabalhadores protestaram contra a posição da Caixa em não modificar as exigências para os candidatos a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da empresa. As condições mantidas no estatuto inviabilizam a candidatura de 80% dos empregados.


O artigo 11 do estatuto estabelece como condições para o exercício de todos os cargos na diretoria e no conselho ser graduado em curso superior e ter exercido cargos gerenciais nos últimos cinco anos ou ter ocupado cargos relevantes em órgãos ou entidades da administração pública por, no mínimo, dois anos.


Reestruturação – Os representantes da Caixa negaram o processo de reestruturação, mas os trabalhadores tiveram acesso a informações de bastidores e afirmam que, após dois adiamentos, o banco irá divulgar informações sobre o processo no dia 23/4.


NES 2013 – A Caixa entregou à Comissão Executiva de Empregados (CEE/ Caixa) uma minuta de aditivo de uma nova estrutura salarial para os profissionais da empresa (advogados, engenheiros, arquitetos, médicos etc). A proposta contém um aumento superior a 50% até o final da tabela. A CEE, que assessora a Contraf/CUT na mesa de negociação, vai levar esse debate para o Comando Nacional na reunião de sexta-feira, dia 26/4.