Câmara mostra que tem preço e salva Temer de denúncia

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No dia 2/8, a Câmara dos Deputados proporcionou mais um espetáculo patético que entrará para a parte triste da história do Brasil. Em uma sessão marcada por votos constrangidos e negociação de emendas à luz do dia no plenário, o golpista Temer obteve apoio suficiente para barrar o avanço da denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Dos deputados presentes, 263 votaram Sim, 227 votaram Não, 2 se abstiveram e 19 se ausentaram. Com a vitória do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) não está autorizado a analisar a denúncia, o que impede Temer de se tornar réu e, consequentemente, de ser afastado do cargo por até 180 dias.


Com a votação favorável, Temer escapa por ora da acusação de corrupção passiva da PGR, que só poderá ser analisada pelo STF após o fim do mandato. Em nome da estabilidade atual, muitos deputados utilizaram este argumento para votar contra o avanço da acusação. Temer foi denunciado por corrupção passiva com base nas delações da JBS. Nas 60 páginas da denúncia apresentada ao STF contra Temer, a PGR busca conectar dois conjuntos de fatos para provar a culpa do presidente: o primeiro envolve a negociação da propina semanal feita entre representantes do grupo J&F, de Joesley Batista, e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). O segundo conjunto compõe o estreito relacionamento entre Loures e Temer. Para Rodrigo Janot, há evidências de que, ao pedir e receber propina, Loures estava atuando em nome de Temer.


EMENDAS EM TROCA DE VOTOS – Desde que foi alvo da denúncia, Temer abriu o cofre para salvar o pescoço. Apenas em emendas parlamentares, o Planalto empenhou R$ 4,1 bilhões neste ano, sendo R$ 2,1 bilhões apenas em julho, segundo um levantamento da ONG Contas Abertas. Temer não poupou esforços para garantir votos favoráveis. Na terça-feira 1º/8 ele encontrou-se com dezenas de parlamentares em um jantar oferecido pelo vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG). Antes do encontro, prometeu refinanciar dívidas públicas de representantes do agronegócio em uma reunião com integrantes da bancada ruralista.