Campanha Salarial mobiliza bancários em 2000

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O ano de 2000 foi marcado pelo acirramento dos embates entre a Confederação Nacional dos Bancários (CNB) e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que encerrou, em janeiro, unilateralmente as negociações da campanha salarial ainda de 1999. Só em fevereiro, as negociações foram retomadas. A falta de segurança dentro dos bancos e o aumento da violência contra bancários e clientes foram o foco do lançamento da nova fase de campanha do Sindicato dos Bancários.

Em julho, cerca de 150 bancários participaram do Seminário Estadual dos Bancários, que deu início à Campanha Salarial 2000. Para os bancários envolvidos, ficou clara a dificuldade nas negociações com os banqueiros por um reajuste salarial decente para a categoria. As primeiras reuniões transcorreram em total clima de apatia no sentido de um entendimento positivo. A Fenaban ofereceu reajuste de 5% e queria cortar anuênio.

Em setembro, um arrastão mobilizou bancários para desbloquear as negociações. O Sindicato visitou várias agências bancárias, destacando a necessidade de uma categoria engajada na luta por salários dignos e condições de trabalho. A Fenaban se recusou a prosseguir com negociações sobre reajuste salarial, embora houvesse comprovação da queda das despesas com salários e duplicação do movimento financeiro dos bancos. A pressão dos bancários fez a Fenaban melhorar de 5% para 7,2%. A Executiva Nacional aconselhou a categoria a aceitar a proposta e os bancários fecharam acordo.

Em novembro, os funcionários do Banespa (Banco do Estado de São Paulo, à época federalizado) fizeram greve contra a tentativa de privatização do banco. A greve foi um protesto contra a intransigência do banco na negociação da Campanha Salarial e da privatização. Os trabalhadores pediam reajuste salarial dos salários e redução da jornada de trabalho para 40 horas horas semanais. Mesmo assim, o Banespa foi comprado pelo Santander no dia 20 desse mesmo mês. Novas paralisações em série fizeram os novos donos do banco respeitarem mobilização dos bancários. O objetivo era de exigir que o banco mantivesse o emprego e os direitos dos trabalhadores.

Nas eleições para a diretoria do Sindicato, em julho, a Chapa dos Bancários se elegeu com 93,35% dos votos. O então presidente do BNB, Byron Queiroz, tentou de todas as formas boicotar as eleições, fazendo uso de ameaças a funcionários e proibindo o acesso das urnas às unidades do BNB. Nesse mês, os bancários definiram, em assembléia, apoio à candidatura do deputado Inácio Arruda (PCdoB) à Prefeitura e de Artur Bruno (PT) à vice-Prefeitura de Fortaleza.