Campanha “Se é público é para todos” é lançada no Ceará, com palestra de Emir Sader e lançamento do livro “O Brasil Que Queremos”

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Foi lançada na noite de quarta-feira, 17/8, na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, a campanha “Se é Público é para todos”, com a participação de várias entidades sindicais, centrais, parlamentares e entidades da sociedade civil organizada. O lançamento contou com a participação de Rita Serrano, coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, que têm encabeçado a campanha em todo o País.


O objetivo é levar a importância do debate em defesa do patrimônio público para toda a sociedade, para que esta se conscientize das ameaças de privatização e esvaziamento das estatais e seu grande impacto negativo para todo o país. O evento contou ainda com as presenças dos professores Emir Sader e Luiz Antônio Corrêa, que falaram sobre a atual situação política e econômica do Brasil.


“Nós, do Sindicato dos Bancários, temos muita satisfação de ter a nossa entidade como um espaço para ajudar na mobilização dos trabalhadores de uma forma geral. Por isso, é fundamental valorizar mais essa campanha Se É Público É Para Todos, porque estamos saindo em defesa do patrimônio do povo brasileiro”, destacou Carlos Eduardo Bezerra, presidente do SEEB/CE.


Emir Sader: “temos de mostrar como esse governo nos afeta”


“O que a Direita coloca é privatização de bens públicos, atingir profundamente os interesses dos trabalhadores, ferir a CLT e desvincular recursos. Espalham que o modelo de governo que começou em 2003 fracassou. Errado. Foi o modelo que mais deu certo no Brasil, que constituiu os indivíduos como cidadãos. Quando se dá dinheiro na mão do pobre, ele não vai mandar para o exterior. Vai criar um círculo virtuoso da economia.


A Direita perdeu quatro eleições seguidas porque a população prefere um modelo de crescimento com distribuição de renda. Dessa forma, procuraram um atalho, se valendo de uma maioria parlamentar eleita com grande quantidade de recursos privados para derrubar o governo legitimamente eleito. O que nós temos de fazer é inviabilizar esse governo. Pegar esses projetos contra os trabalhadores e explicar para a massa da população em como isso os afeta”.


Luiz Antônio: “A defesa da democracia é o que nos une!”


“A direita ganhou um round, através de todo o movimento que foi feito com a mídia, congresso e nós temos também uma parcela de culpa. A pessoa não muda seu voto do candidato majoritário, mas para deputado, vereador, não é uma escolha séria que se faz.


Os movimentos sociais devem começar a debater as suas propostas para a sociedade. Não podemos nos calar diante das posturas da Direita que estão em curso no País. A defesa da democracia é o que nos une nesse momento. É isso que o mundo inteiro está dizendo: é golpe! E é uma luta dura porque o pior ainda não veio.O sujeito ainda é interino. A nossa defesa são os trabalhadores, os pobres os jovens organizados, as mulheres mobilizadas, na defesa da democracia”.


O Brasil Que Queremos!

Na ocasião, foi lançado ainda o livro “O Brasil Que Queremos”, organizado por Emir Sader, que reúne dezoito autores intelectuais, acadêmicos, ex-dirigentes, ministros, gestores públicos com ensaios que avaliam os reflexos das políticas públicas dos governos Lula e Dilma para o desenvolvimento do país nos últimos catorze anos. E avançam no sentido de apontar o que se quer a partir do que foi construído, sem deixar também de ter uma visão crítica sobre algumas das dificuldades enfrentadas e sobre determinadas soluções insuficientes em algumas áreas estratégicas.

Quem desejar adquirir o livro, este está disponível na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará (Rua 24 de Maio, 1289 – Centro), ao preço de R$ 15,00. Mais informações: 85 3252 4266, falar com Keginaldo.


Bate-Bapo com Rita Serrano

Durante o lançamento da Campanha “Se é público é para todos”, a Tribuna Bancária conversou com a representante eleita pelos Empregados ao Conselho de Administração da Caixa (suplente) e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Rita Serrano, que falou sobre a criação desse projeto dos trabalhadores em defesa do patrimônio público a serviço da sociedade. Confira:


Qual foi o principal objetivo da criação do Comitê?

O Comitê nasceu da necessidade concreta de combater o projeto de lei 555, conhecido como “Estatuto das Estatais”, de autoria dos senadores Tasso Jereissati e Cássio Cunha Lima (PSDB). O PLS 555 previa na sua origem a privatização de todas as empresas públicas do País, federais, estaduais e municipais. A partir daí, nós passamos a fazer pressão no Senado, em todos os setores do governo, mobilizações junto à sociedade, de forma a conseguir avançar no projeto e retirar dele todas as cláusulas privatistas que existiam. Foi uma grande vitória desse movimento dos trabalhadores, diante de um congresso extremamente conservador, graças à nossa mobilização.


Mas a retirada dessas cláusulas privatistas do Estatuto das Estatais não significa que a privatização deixou de ser uma ameaça?

Não. Nós conseguimos uma vitória num mar de projetos que estão no Congresso Nacional que visam acabar, ou pelo menos esvaziar, as empresas estatais. Já tem projeto para tirar o controle da exploração do Pré-sal da Petrobrás e entregá-lo às multinacionais, inviabilizando praticamente os investimentos dos royalties em educação e saúde; o que se fala hoje na Caixa e BB é a privatização dos serviços – seguros, loterias, cartão de crédito – corte de recursos para investimentos sociais, ou seja, não é preciso privatizar para acabar.


E a ideia da Campanha Se É Público É Para Todos, como surgiu?

Nós entendemos que era necessário criar uma campanha para dialogar com a população, fazendo um contraponto à narrativa da grande imprensa e do governo golpista de que só o que é privado é bom. Essa campanha é justamente para discutir, sensibilizar a sociedade de que se é público, é para todos e se privatizar, será para poucos e a população é quem vai perder. As empresas que financiam o desenvolvimento do País não vão mais existir. Desde o governo Lula, as empresas públicas – BB, CEF, Embrapa, Eletrobrás, Petrobrás e dezenas de outras – cumpriram um papel fundamental no crescimento do Brasil. Se acabarmos com essas empresas, só quem sai ganhando é a iniciativa privada e a população é quem tem mais a perder.