Caravana dos Bancários percorre 100 municípios cearenses entre 1998-2000

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O ano de 1998 marcava o final do primeiro Governo FHC e o risco de um novo mandato neoliberal, encabeçado pelo PSDB. O BEC corria o risco, desde 1996, de ser privatizado e, em 1998, sofreu a tentativa de federalização, o primeiro passo para a sua venda. Nesse ano, o Sindicato dos Bancários do Ceará reuniu grupos artísticos engajados politicamente para lutar contra a devastação causada pelo Governo FHC numa caravana cultural que percorreu 100 dos 184 municípios cearenses.

A Caravana, que começou suas atividades na capital, reuniu diretores do Sindicato com o objetivo de sensibilizar politicamente a população. Inicialmente, a Caravana arrecadou alimentos em bairros de Fortaleza, que foram distribuídos em municípios do sertão cearense para minimizar os efeitos da seca.

O SEEB/CE organizava apresentações culturais de cunho político na praça principal das cidades, enquanto carros de som já divulgavam o evento nas próximas cidades a serem visitadas. Repentistas, mímicos e uma peça teatral animavam a cidade em que chegavam. O grupo teatral Trupe Trama de Teatro apresentava a peça “Um Monte de Gente num Teto de Zinco Quente”, mostrando a exploração do capital sobre o camponês que ia morar nas grandes cidades.

O banqueiro estadunidense Dom Raton (um boneco gigante) representava a exploração do capital financeiro internacional sobre o nosso País. Após as apresentações, diretores do Sindicato visitavam a Câmara Municipal da cidade para pedir apoio contra a privatização de estatais, principalmente as privatizações no ramo financeiro, muito visíveis no Governo de FHC devido aos acordos firmados com o Banco Central e o Fundo Monetário Internacional (FMI).