Caros colegas, caros grevistas

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Hoje foi um dia muito difícil para o nosso movimento grevista, talvez o mais difícil e cansativo desde que deliberamos o início da greve. No entanto, já sabíamos que assim seria. Todos nós sabíamos. O importante de toda essa luta é que, principalmente ontem, com coragem e de punhos cerrados, não permitimos que aqueles, que nunca comparecem aqui para nos ajudar a decidir sobre o que é melhor para a nossa categoria, que sempre dizem “não adianta, é só isso que ‘eles’ vão dar”, decidissem que deveríamos parar a nossa greve, feita por valentes bancários que foram incansavelmente às ruas, que participaram diariamente das assembléias e souberam corajosamente dizer NÃO à proposta vergonhosa de 7,5% apresentada pelos gananciosos banqueiros.


Agora, orgulhosamente, temos que dizer, de cabeça bem erguida e de peito estufado, àqueles que desrespeitosamente dizem: “greve é coisa do sindicato, eles que fiquem lá com sua bagunça”, que enquanto eles estavam tranqüilos em suas casas, ou permaneciam trabalhando mesmo decidida a greve, agora vão receber 10% de aumento, em vez de 7,5% e isso fomos NÓS que conseguimos. NÓS que fomos gritar incansavelmente nas ruas, que chamamos a população para entender nossas reivindicações, que ficamos horas em pé nos piquetes em frente às agências, que fomos diariamente às assembléias. NÓS que conseguimos esses míseros 10%. Para NÓS e para eles, bancários. VALENTES e covardes! Devemos deixar claro a esses fracos que não criamos nossos filhos orientando-os a aceitar calados tudo que lhes impuserem, que temos orgulho de não permitir em nossos lares a criação de uma nova geração de covardes, que gente como nós é responsável por seus filhos viverem numa democracia!


Não me contenta essa proposta, mas a democracia deve ser a dona da decisão de pararmos ou não nossa greve. E que saiamos dela, sabendo que demos o melhor de nós. Nossa vitória é a nossa coragem!


Parabéns a todos nós pela nossa luta! Parabéns ao Sindicato dos Bancários do Estado do Ceará.


Fortaleza, 23 de outubro de 2008.

Uma funcionária do Banco do Brasil