Cartilha sobre assédio moral ignora saúde do trabalhador

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O Santander divulgou recentemente uma cartilha intitulada “O Santander contra o Assédio Moral nas Relações de Trabalho”, material que visa, segundo a empresa, combater a prática e auxiliar os funcionários a “cultivar e manter relacionamentos respeitosos e transparentes”. No entanto, a Contraf-CUT identificou diversas interpretações conceituais que favorecem os interesses da empresa, em detrimento da proteção da saúde dos trabalhadores, objetivo final do combate ao assédio moral.


Um dos trechos da cartilha destaca o “poder de direção” garantido ao empregador pela legislação brasileira, afirmando que “o exercício deste poder, dentro dos limites legais não configura assédio”. Em outro ponto do documento há a preocupação em explicitar que “a exigência no cumprimento das metas é atitude que não caracteriza assédio moral, pois se trata de atitude normal ditada pela competitividade do mercado”.


O dirigente da Contraf-CUT, Plínio Pavão, explica que há evidências que relacionam diretamente o modo de organização com os conflitos no ambiente de trabalho. “Todos os itens se preocupam apenas com as consequências do assédio moral para o banco, a saúde do trabalhador é completamente ignorada”, destaca Plínio.


A cartilha é divulgada em um momento que o tema da prevenção ao assédio moral está sendo debatida pela Contraf-CUT na mesa temática de Saúde do Trabalhador com a Fenaban. “O conteúdo do material demonstra a necessidade de intensificarmos a pressão e a mobilização pela discussão do regime de metas, o que está sendo negado pelas empresas na mesa temática”, defende Plínio.