CEARÁ: com mobilização e luta, bancários conquistam aumento real por mais um ano

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Intransigências combatidas com união do movimento sindical. Almoço social e apitaço contra os interditos proibitórios. Protestos em Circuito de Vôlei de Praia. Adesões cada vez mais fortes embaladas por bandinhas, humoristas e emboladores. E muita, muita disposição de luta. Essa é uma síntese do que foi a greve dos bancários no Ceará, em 2009. Foi essa disposição que deu à maioria dos bancários conquistas como ganho real e é ela ainda que fortalece cada vez mais a greve na Caixa Econômica Federal, a maior vilã dessa paralisação, que continua irredutível diante das reivindicações dos empregados e que quer substituir as negociações pelo dissídio coletivo. Entretanto, os empregados resistem e sustentam uma greve coesa em todo o País.


A greve dos bancários foi deflagrada no Ceará por uma assembleia com cerca de 700 bancários na noite do dia 23/9. Já no segundo dia de mobilização, os bancários realizaram uma grande caminhada pelo Centro da cidade, reunindo trabalhadores do Correios (que também estavam em greve), além de sindicalistas de várias outras entidades e centrais.


Tanta pressão por parte dos bancários surtiu efeito junto à Fenaban, que no dia 1º/10 chamou a categoria para negociar. A exemplo da Fenaban, Caixa, BB e BNB também marcaram negociações em datas próximas.


No sétimo dia de greve, as propostas começaram a surgir. BB, Fenaban e BNB apresentaram suas cartadas. Enquanto isso, a Caixa apresentou apenas alguns avanços isolados.


A greve nos bancos privados acabou dia 9/10, após 15 dias de uma greve forte, apesar da conivência da Justiça que ainda insiste em conceder os famigerados interditos proibitórios. A proposta da Fenaban apresentou um índice de reajuste de 6% (com 1,5% de ganho real) e uma PLR maior que a do ano passado. Os bancários ainda garantiram a ampliação da licença-maternidade para 180 dias para as funcionárias de todos os bancos e a isonomia de tratamento para casais homoafetivos, que passam a gozar dos mesmos direitos previstos na Convenção Coletiva.


Já a greve no BB durou mais um dia e após 16 dias de greve os funcionários conquistaram uma PLR igual ao que foi distribuído ano passo, reajuste de 6% e um índice de 3% no plano de cargos, além da promessa de contratação de mais 10 mil funcionários e outras questões específicas importantes, como o combate ao assédio moral.


Já no dia 14/10, após 21 dias de greve, os funcionários do BNB no Ceará sairam da greve por uma diferença de apenas dois votos. A Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB/Contraf-CUT) e a direção do Sindicato dos Bancários defenderam a continuidade da greve e a rejeição da proposta. “A pequeníssima margem de diferença contra a greve somente reforça a leitura do Sindicato de que a greve no BNB foi forte e exemplar, apontando para a direção do BNB a necessidade de refletir melhor sobre o tratamento que deve ser dispensado aos seus funcionários”, afirmou o coordenador da CNFBNB/Contraf-CUT e diretor do SEEB/CE, Tomaz de Aquino. A greve no BNB continua nos demais estados.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA DA FENABAN

REAJUSTE: 6% aplicado a todas as verbas, representando 1,5% de aumento real.

PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR)
Regra básica: 90% do salário + valor fixo de R$ 1.024, com teto de R$ 6.680; Caso o valor distribuído para os bancários fique abaixo de 5% do lucrco, o banco deverá aumentar a PLR de cada bancário até completar este percentual, com limite para cada bancário de 2,2 salários ou R$ 14.696, o que for atingido primeiro; O total pago por cada banco poderá atingir até 13% do lucro líquido; Os valores recebidos na regra Básica poderão ser compensados dos programas próprios de remuneração de cada banco.

PARCELA ADICIONAL: 2% do lucro líquido distribuído linearmente para todos os trabalhadores até o limite de R$ 2.100; Os valores não poderão ser compensados dos programas próprios de remuneração.

ANTECIPAÇÃO DA PLR: Regra básica – 54% do salário + R$ 614, com teto individual de R$ 4.008,00 e limite de 13% do lucro líquido do banco no primeiro semestre; Parcela Adicional – 2% do lucro líquido do primeiro semestre dividido linearmente para todos os funcionários, com limite de R$ 1.050,00.

PISOS: SALÁRIO DE INGRESSO

Portaria: R$ 683,38 – Escriturário: R$ 980,08

Caixa: R$ 980,08 + R$ 289,93 (gratificação de caixa) =

R$ 1.270,01

SALÁRIOS APÓS 90 DIAS

Portaria: R$ 748,59 – Escriturário: R$ 1.074,46

Caixa: R$ 1.501,49 (já incluída gratificação)

OUTRAS VERBAS

ATS: R$ 16,59; Gratificação Compensador de Cheques: R$ 94,47; Auxílio refeição: R$ 16,88; Auxílio cesta-alimentação: R$ 289,31; 13ª cesta-alimentação: R$ 289,31; Auxílio-Creche/Babá: R$ 207,95; Auxílio funeral: R$ 557,78; Ajuda deslocamento noturno: R$ 58,22; Indenização por Morte ou incapacidade Decorrente de Assalto: R$ 83.175,62; Requalificação profissional: R$ 831,28.

OUTROS PONTOS

Ampliação da Licença Maternidade para 180 dias; Isonomia de tratamento para homoafetivos – as regras previstas na Convenção Coletiva para os cônjuges dos bancários serão garantidas para os parceiros de bancários e bancárias com relação homoafetiva. A comprovação da condição de parceiro(a) se dará com base nas mesmas exigências estabelecidas pela Previdência Social.

DIAS PARADOS
Serão compensados até o dia 15 de dezembro de 2009 e não poderão ser descontados, a exemplo da Convenção Coletiva de 2008.