Central se contrapõe à chantagem do mercado e defende redução da Selic

19

Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que está enfrentando fogo cerrado do mercado financeiro para aumentar a taxa de juros básicos da economia, a CUT realizou na terça-feira, 19/4, em frente à filial do Banco Central na avenida Paulista, em São Paulo, um ato em defesa da redução da Selic, “como caminho para o desenvolvimento, com geração de emprego e aumento da renda”.


A central sindical distribuiu panfleto para a população denunciando que a atual taxa “já é extremamente alta, o que freia o desenvolvimento do País, além de estar na contramão da política da maioria dos países do mundo, que vêm reduzindo suas taxas de juros” para enfrentar os efeitos da crise econômica e financeira.


Nas duas reuniões já realizadas este ano, o Copom elevou a taxa Selic de 10,75% para 11,75% – a mais alta do mundo. Esse 1% de aumento representa cerca de R$ 15 bilhões que serão transferidos do Tesouro Nacional para os portadores de títulos da dívida pública.


Reportagem publicada na terça-feira, 19/4, pelo jornal Valor Econômico estima que o Brasil pagará de juros da dívida R$ 230 bilhões neste ano, o equivalente a 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB), quase 15 vezes os R$ 15,5 bilhões que o governo federal investe anualmente no Bolsa Família.


Com grande repercussão na mídia, o sistema financeiro, brandindo a ameaça do risco inflacionário, está exercendo enorme pressão para que o Copom aumente novamente a Selic.


Chantagem do mercado financeiro – Para o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, “o Copom não pode continuar cedendo às chantagens do mercado financeiro, acostumado a ganhar bilhões de reais com as altas de juros, em prejuízo do direcionamento do crédito para os setores da economia geradores de emprego e renda”.


“O spread e os juros altos são hoje os principais fatores de transferência de renda da sociedade, especialmente dos trabalhadores, para o sistema financeiro”, denuncia Carlos Cordeiro. Para ele, “é preciso combater essa visão com a ampliação do Conselho Monetário Nacional, de forma a contemplar a participação da sociedade civil organizada, para que o Banco Central, além das metas de inflação, possa também fixar metas sociais, como o aumento do emprego e da renda dos trabalhadores e a redução das desigualdades sociais do País”.