Cerest é referência na assistência ao trabalhador

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LER / Dort (Lesão por Esforço Repetitivo / Distúrbios Osteo-musculares Relacionados ao Trabalho), depressão, anorexia e síndrome do pânico são as doenças mais comuns entre os trabalhadores do Ceará, segundo a coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), Rosemary Cavalcante. Os bancários estão sujeitos tanto à LER / Dort, por trabalharem bastante com digitação, quanto a transtornos mentais, devido às intensas pressões dos patrões, com cobrança de metas a serem atingidas e assédio moral. Os vigilantes, expostos à violência, sofrem depressão e síndrome do pânico.


Além disso, capacidade decisória, exaustão física e ruído excessivo podem estar relacionados a altas taxas de colesterol. A obesidade está associada ao estresse, e a jornada noturna está ligada a distúrbios alimentares e do sono. A irradiação pode levar ao desenvolvimento de tumores, geralmente após longo período de latência. Em profissões que exigem a posição sentada por tempo prolongado, ocorre redução da densidade óssea. Já o trabalhador sujeito a calor excessivo, exposto a agrotóxicos, a metais ou a outros agentes químicos pode sofrer redução da produção de espermatozóides.


O quadro da segurança no trabalho também não é muito animador: entre os anos de 2006 e 2007, o número de acidentes de trabalho no Ceará cresceu 38,1%, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Em 2006, o Estado registrou 5.965 acidentes de trabalho. Em 2007, o número de ocorrências saltou para 8.241. O percentual foi superior ao registrado no País, no mesmo período: 27,4%. Em 2006, ocorreram no Brasil 512.232 acidentes de trabalho, número que chegou a 653.090 no ano seguinte. O número de óbitos por acidentes de trabalho no País é maior do que a quantidade de mortes por dengue ou Aids. No Ceará, os setores que registram mais acidentes são os da construção civil, indústria e agricultura.


Diante dessa realidade, o Cerest, um serviço do Sistema Único de Saúde (SUS), tem por objetivo estruturar a rede pública para atender o trabalhador, pensando a relação entre a doença e o ambiente de trabalho. A maior demanda recebida pelo órgão parte das pessoas que já estão afastadas do trabalho e querem se submeter ao exame que dará o laudo de nexo causal doença / ambiente de trabalho. De acordo com Rosemary Cavalcante, Ler / Dort é o que mais gera afastamento. Dentre os serviços prestados pelo Centro, há ainda projetos relacionados a assédio moral e um mapeamento de atividades econômicas em todo o Estado para saber quais são as necessidades dos trabalhadores com relação à saúde.


Além do atendimento aos trabalhadores, o Cerest capacita profissionais do SUS para que componham a Rede Sentinela, vinculada à Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast). A intenção da Rede Sentinela é que os profissionais do SUS reconheçam os acidentes / doenças causados pelo trabalho e façam o registro do ocorrido no SINAM (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). A coordenadora explica que o Cerest tem acesso às informações do sistema e a partir disso pode intervir no ambiente de trabalho que causou o problema. Em 2007, a equipe do IJF foi treinada para diagnosticar e notificar casos de trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho.


Sobre a colaboração do empresariado no combate às doenças do trabalho, a coordenadora não traz boas notícias: “a nossa cultura ainda leva o empresário a não se sentir responsável pelos acidentes de seus empregados, mas o trabalhador não pode entrar na empresa saudável e sair doente, causando prejuízo social e ao Estado.”


PREVIDÊNCIA SOCIAL – A partir de 2010, a empresa que apresentar um grande número de acidentes no trabalho vai pagar um seguro maior para a Previdência Social. As organizações que investirem em saúde ou segurança para os seus trabalhadores serão beneficiadas e as que não investirem, punidas. Atualmente, as empresas brasileiras contribuem com 1% a 3% sobre a folha de pagamento para a Previdência, dependendo da atividade – se de baixo, médio ou alto risco.


Em 2006, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desembolsou mais de R$ 10,5 bilhões em benefícios devido a acidentes e doenças do trabalho e em aposentadorias especiais decorrentes das condições ambientais de trabalho. Os dados oficiais da Previdência apontam que, somados os gastos com o custo operacional do INSS e as despesas na área da saúde e afins, o valor atinge mais de R$ 39 bilhões.

Passo a passo para atendimento a trabalhadores residentes em Fortaleza


1. É necessário que o trabalhador seja cadastrado no posto de saúde mais próximo de sua residência.


2. Após o cadastramento, o trabalhador deverá ligar para (85) 3253.2698 para agendar a consulta em Medicina do Trabalho ou se dirigir ao Cerest-CE.


3. Após a consulta, o trabalhador poderá ser referenciado para outro profissional para comprovação de diagnóstico, caso se faça necessário.


Documentação necessária:

• Em caso de suspeita de doença relacionada ao trabalho, acidente de trabalho ou questões na área do Direito Trabalhista: RG, CPF, Carteira Profissional.


Em casos de suspeita de doença relacionada ao trabalho ou acidente de trabalho, o paciente deve apresentar exames realizados comprovando o diagnóstico em questão.


Já em caso de homologação de portadores de deficiência, os trabalhadores deverão apresentar exames realizados comprovando a deficiência.

MAIS INFORMAÇÕES:

Cerest – Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador Manuel Jacaré

Avenida Imperador, 498 – Centro. – Telefones: (85) 3101.5342 e (85) 3253.2698 – Horário: 8h às 17h

Site: www.cerest.gov.ce.br