Cinco maiores bancos lucram R$ 17,3 bi, apesar das dificuldades econômicas do País

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Apesar das dificuldades na economia nacional, o lucro dos maiores bancos do Brasil segue elevado e apresenta crescimento considerável no 1º trimestre deste ano, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os cinco maiores bancos brasileiros (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) lucraram juntos, apenas no 1º trimestre de 2017, um total de R$ 17,3 bilhões, 29,2% a mais do que no mesmo período do ano passado.


O Itaú é o maior banco brasileiro em ativos, com um total de R$ 1.413.269 milhões, tendo também como base o 1º trimestre de 2017. Ele é seguido por BB, Bradesco, Caixa e Santander. Somando o ativo dos cinco, chegamos ao impressionante montante de R$ 6,1 trilhões, 5% a mais que no mesmo período de 2016.


Receita de serviços x despesa com pessoal – O levantamento aponta ainda que a quantia que os bancos recebem de receita com serviços e tarifas dá tranquilamente para pagar os gastos com folha de pessoal e ainda sobra. No Santander, essa relação chega a 168,6%. Valor aproximado também é observado no Itaú: 162,9%. No Bradesco, a receita com serviços e tarifas paga 100% da folha e ainda sobra 25%. No BB a relação é de 114,9% e na Caixa, 101,9%.


Lucro x demissão – Apesar dos números tão favoráveis, os bancos continuam eliminando postos de trabalho. Entre março e junho de 2016, o Bradesco eliminou 15.678 postos de trabalho e, depois da incorporação do HSBC já fechou outros 3.278 postos em seis meses. Em relação ao 1º trimestre de 2017, o Santander reduziu 3.245 empregos e o Itaú fechou 1.652 postos.

Entretanto, os números são assustadores mesmo nos bancos públicos, onde houve a chamada “reestruturação”, com implementação de planos de demissão voluntária. No BB hoje são 9.900 empregos a menos e na Caixa, 5.863, sem qualquer previsão de reposição desses quadros.


Número de agências x funcionários – Devido à incorporação do HSBC, o Bradesco teve um crescimento de 613 agências no 1º trimestre do ano, em relação a 2016. A Caixa também aumentou o número de agências em sete. Já o BB fechou 551 unidades em todo o país, o Santander, nove e o Itaú, 202 (registre-se aí a abertura de 36 agências digitais).

No entanto, o número médio de bancários por agência tem sido reduzido em relação a 2016. Apenas no Bradesco essa relação aumentou por conta da incorporação do HSBC: subiu de 21,5 para 22 funcionários em média por agência física no 1º trimestre deste ano. No Santander, a média caiu de 22,2 em 2016 para 20,8 em 2017; no BB, no 1º trimestre de 2016 a média era 12, hoje caiu para 9; o mesmo acontecendo com a Caixa: antes, a média de empregados por agência era 28,47 caindo para 26,69 este ano.


“Na mesma proporção que aumentam os lucros dos bancos, graças principalmente ao esforço e competência da categoria bancária, crescem também a ganância e o desrespeito dos banqueiros. Não há justificativa, diante de números tão positivos, para os bancos brasileiros seguirem demitindo, cortando comissões, fechando agências e diminuindo o número de bancários por unidade. O que se pratica hoje vai na contramão de qualquer tipo de responsabilidade social”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará