Com lucros acima de R$ 25 bi, bancos podem atender pauta dos bancários

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Os balanços dos seis maiores bancos que atuam no País mostram um lucro líquido conjunto de R$ 25,2 bilhões no primeiro semestre deste ano, 1,20% maior que o resultado em igual período de 2011, mesmo com a manobra contábil de superdimensionar as provisões para devedores duvidosos diante de uma inadimplência estável e com viés de queda.


“Os bancos usaram o truque de maquiar os balanços para esconder o lucro, mas mesmo assim os resultados foram superiores aos do ano passado. Isso mostra que o sistema financeiro nacional passou longe da crise e está mais sólido do que nunca, principalmente em razão do aumento da produtividade dos trabalhadores”, avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários. “Não há, portanto, nenhuma razão para os bancos não atenderem às reivindicações da categoria”.


Entre junho de 2011 e junho deste ano, segundo o Banco Central, a inadimplência cresceu apenas 0,7 pontos percentuais na média do setor financeiro e aponta tendência de queda no próximo período.  O sistema financeiro também aumentou os ganhos com receitas de prestação de serviços e com tarifas bancárias, que cobrem com muita folga as folhas de pagamento de todos os bancos.


Pisos baixos x remuneração milionária dos executivos – Os bancos que operam no Brasil são os mais rentáveis do mundo, remuneram seus executivos com bônus milionários, mas pagam salários mais baixos que vários países da América do Sul. 


Em contrapartida, a remuneração dos altos executivos do sistema financeiro está entre os mais altos do mundo. Os diretores estatutários do BB, por exemplo, receberam remuneração em 2011 de R$ 669.877,00. No mesmo ano, o Santander pagou R$ 6,8 milhões em média a cada um de seus altos administradores. A remuneração do Bradesco para os altos executivos chegou a R$ 4,24 milhões na média. E o Itaú remunerou seus diretores estatutários com R$ 14,14 milhões na média.



Rotatividade corta empregos e reduz remuneração – Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) realizada trimestralmente pela Contraf-CUT e Dieese mostra que o setor bancário gerou 2.350 empregos no primeiro semestre de 2012, uma redução de 80,40% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram criadas 11.978 vagas. O levantamento revela que entre janeiro e junho os bancos contrataram 23.336 empregados e desligaram 20.986. Já a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.708,70 e a dos desligados de R$ 4.193,22, o que representa uma diferença de 35,40%. É por isso que, apesar de a categoria bancária conquistar com luta 13,9% de aumento real no salário e de 31,7% no piso salarial de 2004 a 2011, nesse mesmo período o salário médio do bancário brasileiro teve ganho acima da inflação de apenas 3,64%. “Essa alta rotatividade nos bancos vem sendo utilizada para travar a expansão da massa salarial e aumentar ainda mais os lucros”, denuncia Cordeiro.