Com lucros de mais de R$ 50 bilhões em 2017, bancos fecharam 17.905 postos de trabalho

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Não existe crise para as instituições financeiras. Os três maiores bancos privados do Brasil – Itaú, Bradesco e Santander – tiveram, juntos, lucro líquido de R$ 53,8 bilhões. Se somarmos o lucro do Banco Safra, esse número sobe para R$ 55,7 bi. A cifra representa um crescimento de mais de 15% em relação a 2016. Somente o Itaú alcançou o maior lucro de uma instituição financeira na história do Brasil: R$ 24,8 bilhões. Por outro lado, o setor financeiro como um todo cortou 17.905 postos de trabalho em 2017, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).


Um dos motivos desses lucros astronômicos são os juros dos empréstimos, por conta do spread: quanto maior é a crise, maior é o risco, mais o banco cobra. Ou seja, os bancos brasileiros conseguiram sair da maior crise econômica da história do país com a saúde financeira inabalável.


ITAÚ – O banco Itaú obteve um Lucro Líquido Recorrente de R$ 24,879 bilhões, com crescimento de 12,3%, em relação a 2016. O banco consegue pagar todos os custos que tem com os trabalhadores e ainda sobra 60,2% das receitas obtidas por meio da prestação de serviços e com as tarifas bancárias. Em 2017 o Itaú fechou 133 agências físicas e abriu 25 agências digitais, ou seja, fechou, em média, cinco agências físicas para cada agência digital aberta. Nesta análise não foram consideradas as 71 agências físicas do Citibank.


BRADESCO – O banco lucrou R$ 19,024 bilhões, com crescimento de 11,1%, em relação a 2016. Em contrapartida, a holding encerrou o ano de 2017 com 98.808 empregados, uma redução de 9.985 postos de trabalho em relação ao final de 2016, que representa 9,2% do seu quadro de funcionários, mesmo, após a incorporação, em setembro de 2016, de aproximadamente 20 mil trabalhadores banco HSBC.  O PDVE, segundo o banco, teve 7,4 mil adesões. No período, foram fechadas 565 agências e abertos 78 novos postos de atendimento (PA).


A receita com prestação de serviços e tarifas bancárias totalizou R$ 24 bilhões. Já as despesas de pessoal R$ 21 bilhões, além do Plano de Desligamento Voluntário Especial (PDVE), anunciado em julho pelo banco, que gerou um custo de R$ 2,3 bilhões, mas que, segundo o relatório, deve impactar em uma redução R$ 1,5 bilhão anual nas despesas.  Ainda assim, a cobertura destas pelas receitas secundárias do banco foi de 124,9% em 2017.


SANTANDER – O banco anunciou um lucro líquido gerencial de R$ 9,953 bilhões, em 2017, um crescimento de 35,6% em relação a 2016. O lucro obtido no Brasil representou 26% do lucro global que foi de € 6,6 bilhões (com crescimento de 7% em doze meses). A holding encerrou o 4º trimestre de 2017 com 47.404 empregados, com abertura de 24 postos de trabalho em relação a 2016. O número de agências cresceu em uma unidade em doze meses. A receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias cresceu 13,8% em doze meses, totalizando R$ 15,6 bilhões. A cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 171,7%.


SAFRA – No ano de 2017, o lucro líquido do Banco Safra foi de R$ 1,915 bilhão, crescimento em relação a 2016, de 12,7%. As despesas de pessoal subiram 23,2%, totalizando R$ 2 bilhões enquanto as receitas de prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias subiram 13,5%, atingindo R$ 1,8 bilhão.  Com isso, a cobertura das despesas de pessoal pelas receitas de prestação de serviços e tarifas foi de 88,7%, em 2017. O banco encerrou ano com 6.732 funcionários, com abertura de 856 postos de trabalho em doze meses. O número de agências e PAB’s mantiveram-se em 109 e 22 unidades, respectivamente.

 


“Os trabalhadores são os que mais contribuem para que o lucro do Itaú não pare de crescer. Não existe motivo para que o Itaú queira retirar direitos dos trabalhadores, ou forçá-los aceitar novas regras que lhes prejudiquem. Os bancários do Itaú se esforçam para que o banco obtenha bons resultados e precisam ser reconhecidos por isso”,
Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato e representante da Fetrafi/NE na COE Itaú


“O banco segue obtendo altos lucros às custas da precarização do trabalho, das demissões, do assédio moral e da imposição de metas, que tem adoecido os bancários. Além disso, os bancos exploram os seus clientes com a cobrança de altas taxas de juros e continuam obtendo altos lucros”
Eugênio Silva, diretor do Sindicato e funcionário do Santander


“O Bradesco teve um lucro exorbitante no Brasil obtido a partir do suor dos seus trabalhadores, que não têm tido o devido reconhecimento por essa dedicação. Queremos respeito aos nossos direitos, acima de tudo”
Gabriel Rochinha, diretor do Sindicato e funcionário do Bradesco


“A nossa expectativa é que esse crescimento do lucro de 12,7% em relação a 2016 se reflita em reconhecimento à dedicação dos funcionários do Safra, os verdadeiros responsáveis por esse desempenho”
Mateus Neto, diretor do Sindicato e funcionário do Safra


“Além do fechamento de postos de trabalho, o lucro dos bancos não se reverte em melhores condições de trabalho para seus funcionários, pelo contrário: as situações a que são submetidos os trabalhadores vêm se agravando, o que deve piorar com a reforma trabalhista, como a prática de home office, que flexibiliza a jornada, e a estipulação de metas abusivas, gerando ainda mais adoecimento na categoria. Estamos firmes na luta pelo respeito aos direitos dos trabalhadores”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará