COMBATE AO ADOECIMENTO É DEBATIDO POR ESPECIALISTAS

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Debater a necessidade urgente do estabelecimento de uma política de prevenção de adoecimento físico e mental na Caixa Econômica Federal foi um dos objetivos do 1º Seminário sobre Saúde Mental dos Trabalhadores da Caixa. Realizado pela Fenae, dia 25/9, em Brasília (DF), o evento reuniu empregados do banco, representantes de sindicatos, Apcefs, do Conselho de Usuários do Saúde Caixa e do GT Saúde do Trabalhador.


Sujeitos a sobrecarga e a um modelo de gestão que estimula a pressão por produtividade e o assédio moral, transtornos psicológicos e emocionais se tornaram problemas cada vez mais comuns entre os trabalhadores.


Na abertura do seminário, o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, defendeu que a saúde do trabalhador tem que ser uma pauta perene do movimento sindical e associativo. “Precisamos envolver todas as entidades e representações dos trabalhadores, para juntos construirmos ferramentas para combater esse grave problema. Essa luta tem de ser de todos nós”, reforçou o dirigente. Na Caixa, conforme Jair Ferreira, o modelo de gestão propicia o adoecimento da categoria. Redução do número de empregados, reestruturação e metas abusivas são apontados como alguns dos fatores que precarizam as condições de trabalho. O evento teve ainda painéis sobre saúde do trabalhador e assédio moral.


PESQUISA – Os números apontados por uma pesquisa, encomendada pela Fenae em 2018, confirmam o que o movimento dos trabalhadores já denunciava, que era o aumento dos transtornos psíquicos e outros graves problemas de saúde entre os empregados da Caixa. Segundo a pesquisa, um em cada três empregados da Caixa, ouvidos no período de 2 a 30/5, diz ter apresentado algum problema de saúde em decorrência do trabalho. Entre os que tiveram algum problema, 10,6% relataram depressão. Doenças causadas por estresse e doenças psicológicas representam 60,5% dos casos. Entre os que tiveram problemas, 53% precisaram recorrer a algum medicamento. Os remédios mais usados foram os antidepressivos e ansiolíticos (35,3%), anti-inflamatórios (14,3%) e analgésicos (7,6%). Um novo estudo deve ser realizado em novembro para avaliar a saúde dos trabalhadores da Caixa.


“Os números revelam o quanto o modelo de gestão do banco, a sobrecarga de trabalho e a ausência de uma política de saúde do trabalhador estão prejudicando a vida dos empregados e provocando um verdadeiro quadro de adoecimento crônico na categoria”
Marcos Saraiva, diretor do Sindicato e da Fenae