Como preservar o meio ambiente e gerar renda

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Jornais, livros, cadeiras de plástico, canos de PVC e caixas de papelão estão entre os materiais coletados pela Sociedade Comunitária de Reciclagem de Lixo do Pirambu (Socrelp). Funcionando desde 1994, a Associação, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, representa um meio de vida para muitos cidadãos com poucas oportunidades.


Ao chegar ao terreno de 400 m² da Socrelp, um amontoado de lixo pode ser avistado. São poucos os empregados responsáveis por selecionar o material, levá-lo para pesar e prensá-lo, para que assim, possa ser vendido para outras empresas. A Sociedade já contou com mais de 20 funcionários, mas hoje apenas 12 realizam o trabalho árduo, em que, muitas vezes, ficam expostos ao sol. “É a concorrência de outras empresas”, declara a tesoureira Ântônia da Silva, justificando a diminuição do número de empregados.

Apenas um caminhão, que foi cedido pelo Governo Estadual, realiza a coleta por toda Fortaleza. José Ribamar da Silva, 55 anos, é um dos cinco catadores da Associação, na qual trabalha desde a sua fundação. Também realizando bicos como vigilante, ele consegue faturar R$ 225,00 por quinzena. “Dependo desse emprego para sobreviver, mas gosto do que faço”, afirma José Ribamar. Parte da renda da Socrelp vem da revenda de materiais que são comprados, especialmente, em centros comunitários e repassados para empresas como a Cobape (papelão), Sopet (garrafa PET) e Montenegro (plástico). O quilo de garrafas PET, por exemplo, que custa R$ 0,25, é vendido a R$ 0,75.


A Socrelp também realiza o processo de reciclagem de papel branco. O material limpo, que é doado pela Prefeitura e outros órgãos públicos, é transformado em pastas, caixas para presente e envelopes, cujo valor varia de R$ 0,50 a R$ 6,00. A artesã responsável é Janete Lima, 40 anos. Ela explica que o papel é inicialmente colocado de molho, depois é passado em um liquidificador especial, é transferido para um tanque, e secado, para que, finalmente, seja transformado. Janete lembra que os produtos só são feitos sob encomenda.


Uma das mais novas funcionárias da Socrelp é Glauciane Pereira, 20 anos. Indicada no ano passado para o trabalho pela tesoureira e vizinha “Toinha”, ela separa papel, garrafa e “o que vier”. Apesar de ganhar apenas R$ 50,00 por semana, Glauciane afirma que com o dinheiro ela ajuda a pagar as contas da família, como a luz e a água. “Gosto de trabalhar aqui, mas queria fazer outra coisa onde pudesse ganhar mais”, vislumbra.