Como reconhecer o golpe do falso sequestro de familiar

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Segundo denúncias chegadas ao Sindicato dos Bancários do Ceará, trabalhadores dos bancos estão sendo alvo do golpe do falso sequestro de um familiar, em seu próprio local de trabalho. Como alerta, o SEEB/CE mostra à categoria como funciona a ação e a audácia dos criminosos, da safra de golpes organizados, sobretudo por presos ou facções criminosas.


Esse golpe sinteticamente funciona assim: os criminosos ligam para a vítima contando que um familiar dela foi sequestrado e que, se não for depositada uma quantia (normalmente entre 2 mil e 10 mil reais) imediatamente, será ferido ou morto. Em alguns casos, os golpistas solicitam também o fornecimento de um certo número de códigos de cartões de recarga para celulares pré-pagos (que servem para os presos se comunicarem de dentro dos presídios).


A performance teatral dos golpistas muitas vezes inclui gritos no fundo do telefonema e fornecimento de detalhes da pessoa supostamente sequestrada para assustar e convencer o interlocutor a pagar rapidamente. Técnicas de “engenharia social” são também usadas pelas quadrilhas mais evoluídas e estruturadas.


Na realidade o tal membro da família não foi sequestrado, mas provavelmente recebeu logo antes um telefonema de alguém que com alguma desculpa (participação num concurso ou programa televisivo, sorteio, cadastramentos de algum tipo, suposta clonagem de cartões de crédito ou celular etc.) conseguiu obter várias informações pessoais (que foram usadas depois para convencer os parentes que a pessoa foi mesmo sequestrada), inclusive o telefone do familiar vítima que irá receber as ameaças.


Muitas vezes ficam ligando direto no número do suposto sequestrado para mantê-lo ocupado de forma que não seja possível para os familiares fazer contato e verificar se está mesmo sequestrado. Em outra variante os golpistas ligam antes para o celular do suposto sequestrado e, dizendo ser da companhia telefônica e com a desculpa de fazer controles contra clonagem ou algo do tipo, solicitam que deixe o telefone desligado por 1 ou 2 horas (além de coletar informações).


Nestes casos ganhe tempo, verifique através de outros números onde está a pessoa supostamente sequestrada. Se necessário desligue na cara dos golpistas logo no início da conversa (para deixar a linha disponível para você tentar contatar a pessoa), depois poderá sempre dizer que caiu a linha. Descobrirá que a pessoa não é sequestrada e que está muito bem. Não se deixe amedrontar pelas ameaças e leve em conta que, quando os golpistas disserem que não pode desligar, é exatamente porque não querem que você tenha a chance de verificar o que eles afirmam pois, assim, descobriria que não houve sequestro algum.


De forma geral, durante a conversa, NUNCA forneça ou confirme qualquer dado seu ou de seus familiares, quais endereços, local de trabalho etc. Se forem verdadeiros sequestradores já saberão tudo, se não forem é melhor não muni-los de informações sobre você e sua família.


Uma vez verificado que é golpe, o conselho é que ligue para a Polícia denunciando o fato (inclusive o número de origem da ligação, sempre um celular) e deixando eles tomarem as medidas cabíveis. Não atenda nunca mais telefonemas vindo daquele número, em hipótese alguma. Lembre-se que estará tratando com criminosos sem escrúpulos.