Como se livrar das dívidas?

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Uma das perguntas que mais ouço fora da sala de aula é: “professor, qual a maneira mais fácil, rápida, prática e menos dolorosa para se livrar das dívidas?”. A resposta, em geral, começa pela prática de três ações essenciais para se obter uma boa saúde financeira: planejamento, comprometimento e disciplina. Toda dívida exige, de imediato, um completo diagnóstico da situação financeira e leva, inequivocamente, a prática de cortar gastos. Primeiramente, é preciso ter noção de que a dívida surge, quase sempre, pela falta de planejamento e por maus hábitos (principalmente impulsão no ato da compra, facilitado pelo crédito fácil e por constantes apelos da propaganda).


O roteiro básico para sair das dívidas passa por listar os gastos prioritários (tendo disciplina financeira) e cortar os gastos supérfluos (comprometimento e força de vontade). É fundamental “mapear” as dívidas, ter claro o tempo do endividamento, o valor da dívida total e, principalmente, o quanto está sendo cobrado de juros.


Uma planilha financeira eletrônica sempre é uma boa ajuda para esse mapeamento. De um lado devem aparecer as despesas previstas, do outro, os rendimentos recebidos. Uma terceira coluna dessa planilha deve ser a margem de segurança, nada mais que um percentual entre 10% a 15% dos rendimentos para fazer frente aos chamados “gastos imprevistos” – àqueles de última hora que sempre aparecem.


Feito isso, deve-se estabelecer então as prioridades: a primeira ação nesse sentido é tentar quitar as dívidas cujos juros são mais elevados; por exemplo, as do cartão de crédito. Mudar hábitos de consumo também é outra ótima receita. O melhor para isso é limitar o crédito. O limite do cartão de crédito, por exemplo, não pode ultrapassar 50% da renda líquida.


Na verdade, o que cada um de nós devemos fazer é agir como se fôssemos uma empresa, com “receitas” e “despesas”. Disso advém outra receita primordial. É recomendável, nessa mesma planilha eletrônica, constar os ganhos e as despesas, separando então os gastos em: 1) Essenciais (alimentação, vestuário); 2) Básicos (despesas com moradia); 3) Contornáveis (TV a cabo, academia, algumas saídas noturnas entre outros) e, 4) Desnecessários (tudo aquilo que pode ser comprado depois, refreando assim o impulso).


Essa disciplina financeira (na verdade, um comportamento) deve levar em conta uma reserva de 30% a 40% da renda líquida mensal apenas para o pagamento de dívidas. Pagar dívida sempre deve ser prioridade. Logo, todo rendimento extra (férias, restituição do Imposto de Renda e outros) deve ser direcionado imediatamente para a quitação das dívidas.


Fora isso, a disciplina financeira, uma vez feita em conjunto com todos os membros da família, leva a inevitáveis cortes de gastos domésticos que ao final do mês faz uma diferença considerável. Sempre existe um excesso de pelo menos 20% em contas de água, telefone, supermercado, TV a cabo. Assim, a saúde financeira passa, indubitavelmente, pelas três ações que mencionamos acima e que cabe reiterar: planejamento, comprometimento e disciplina.

Marcus Eduardo de Oliveira – economista, especialista em Política Internacional, articulista do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias