Conferência Regional delibera por 5% de aumento real, piso do Dieese e ratifica unidade da categoria

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Os bancários do Nordeste estiveram reunidos no último fim de semana, dias 15 e 16/7, em Recife (PE) e deliberam a respeito das principais reivindicações da categoria na região a serem levadas à Conferência Nacional dos Bancários, em São Paulo, no final deste mês. Lá, os representantes da categoria vão definir a pauta de reivindicações que será entregue aos bancos até o próximo dia 10 de agosto.


A Conferência reuniu 140 participantes, entre eles delegados cutistas das bases do CE, PE, AL, PB, PI, Cariri e Campina Grande, além das oposições bancárias cutistas do Rio Grande do Norte e do Maranhão e dos sindicatos de bancários do extremo sul da Bahia. Esses delegados trouxeram suas demandas que foram definidas nos encontros estaduais e os trabalhos foram divididos em cinco grupos de discussão: emprego e remuneração; saúde e condições de trabalho; segurança bancária; sistema financeiro e estratégia e organização do movimento.


Os bancários do Nordeste vão defender na Conferência Nacional que o índice de reajuste salarial a ser reivindicado seja composto pela inflação do período e mais 5% de aumento real. Segundo o Dieese, a inflação entre 1º de setembro de 2010 e de 2011, data-base dos bancários, deve girar em torno dos 7,5%. “Com isso, o reajuste da categoria ficaria em torno de 12,87%”, calcula o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra.


“Nos últimos sete anos conseguimos conquistar um reajuste acima da inflação em todas as campanhas. Queremos aumento real de salários mais uma vez e vamos lutar por isso. A saúde financeira dos bancos continua fabulosa e agora é hora das empresas valorizarem seus funcionários”, ressaltou.


Carlos Eduardo também destacou a contratação da remuneração total do bancário. “Os trabalhadores do sistema financeiro brasileiro perceberam a importância de contratar a remuneração fixa direta, a remuneração fixa indireta e a remuneração variável. Tivemos a posição de buscar a contratação da remuneração total do bancário, para dificultar a forma perversa do sistema financeiro de tentar fragilizar a sua relação com o bancário”, avalia. Ele enfatizou ainda a proposta de inibição das dispensas imotivadas massificadas e o respeito à igualdade de oportunidades, com o fim das discriminações.

PLR – Os bancários do Nordeste também vão defender que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) seja de três salários mais R$ 4 mil fixos.

SAÚDE E CONDIÇÕES DE TRABALHO – Os bancários deliberaram pelo fim das metas abusivas e combate ao assédio moral; atenção às pessoas afastadas de licença-saúde, acidente de trabalho com isonomia de direito. Política de proteção aos vitimados por LER/Dort.

SEGURANÇA BANCÁRIA – Os delegados destacaram a preocupação com as portas giratórias detectoras de metal; o aumento de monitoramento de câmeras de vigilâncias; aumento do número de vigilantes e a responsabilidade do transporte de valores. “Os bancos não têm respeitado nem a legislação, nem a vida dos trabalhadores e isso tem sido um dos pontos mais inquietantes, principalmente no Nordeste. Foi aprovada ainda uma proposta contra a transferência de responsabilidade nos casos de assaltos para o bancário e/ou para a população, como a iniciativa de manchar de tinta as notas de caixas explodidos por assaltantes”, informou Carlos Eduardo.

SISTEMA FINANCEIRO – Os bancários vão levar para São Paulo a proposta de combate à terceirização e às resoluções do Banco Central a respeito dos correspondentes bancários. “Essas medidas fragilizam a organização do atendimento bancário, da segurança, do emprego, pela terceirização – uma precarização muito grande e um contra-senso, em nome da bancarização. Esse é um debate muito forte que precisamos fazer com a sociedade e que estará presente na mesa de negociação”, enfatiza Carlos Eduardo.

ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO – Os delegados presentes à Conferência aprovaram por ampla maioria a representação do Comando Nacional, da Conferência Nacional, na contratação da CCT concomitante com as negociações específicas de bancos públicos e privados, além de ratificar a estratégia geral da unidade da categoria.

DIÁLOGO COMO A POPULAÇÃO – Para o diretor do Sindicato, Bosco Mota, a Campanha Nacional dos Bancários também deverá servir para a categoria denunciar à sociedade todos os problemas dos bancos. “Queremos fazer uma campanha para conscientizar os clientes e usuários dos bancos que a luta dos bancários também é uma luta de todos. Queremos melhorar o atendimento e para isso vamos exigir, nas negociações, que as pessoas sejam atendidas em, no máximo, quinze minutos, que é lei. Também vamos propor que o horário de funcionamento das agências seja ampliado, com a criação de dois turnos de trabalho com mais bancários”, destaca Bosco.

PARTICIPAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA UNIDADE – De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra, houve a participação massiva nos grupos de trabalho, muitos consensos, e mesmo as divergências e as visões diferenciadas foram encaminhadas por processo democrático. “Aquelas que conseguiram a representatividade de mais de 20% dos delegados nos grupos foram todas debatidas na plenária final da Conferência, onde se definiu a contribuição dos bancários do Nordeste à Conferência Nacional dos Bancários e à minuta geral da categoria”, disse.


A organização da Conferência Regional também marcou a primeira grande atividade política da nova federação dos trabalhadores do ramo financeiro do Nordeste, a Fetrafi-NE, e a importância da construção da unidade. “Os sindicatos da base representativa e o diálogo político com as matizes político-ideológicas da CUT, da CTB, da Intersindical e da Conlutas fizeram uma composição elegendo uma chapa única para compor a delegação do Nordeste à Conferência Nacional, o que foi de fundamental importância para construirmos a Campanha Nacional 2011 no princípio da unidade”, completou.

CONFERÊNCIA NACIONAL – Durante a Conferência Regional, os bancários elegeram a delegação que representará e defenderá as propostas dos bancários do Nordeste na Conferência Nacional, que será realizada entre os dias 29 e 31 de julho, em São Paulo. O grupo será composto por 62 delegados.


“Essa Conferência Regional foi uma das melhores dos últimos anos e consolidou a unidade dos bancários do Nordeste. Mais de 40 mil bancários do Nordeste vão se somar aos mais de 400 mil bancários do País, mostrando uma unidade nacional, com a mesma pauta, o mesmo calendário, a mesma mídia, a mesma estratégia, para enfrentar o sistema mais forte dessa economia, que é o sistema financeiro, e continuar avançando nas conquistas”, avaliou o presidente do SEEB/CE.


Carlos Eduardo completa: “temos que defender o direito dos bancários e não podemos admitir que os banqueiros queiram fazer economia com a nossa categoria em 2011, porque isso significa inverter a lógica que nós conseguimos estabelecer na luta, na rua, com a sociedade nos últimos oito anos”, disse.


Ele convoca os bancários à mobilização. “A participação dos bancários é imprescindível. Tivemos uma delegação com 30% de mulheres e a maioria da delegação é jovem, o que é muito bom, porque o jovem bancário precisa conhecer sua história, precisa saber como chegamos até aqui para que possamos todos juntos construir o futuro da categoria”, finaliza.

CONFIRA ALGUMAS DAS DELIBERAÇÕES DA CONFERÊNCIA REGIONAL

EMPREGO E REMUNERAÇÃO

* Remuneração fixa direta:

– Reajuste de 5% de aumento real;

– Piso no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese, no valor de R$ 2.297,51

– Planos de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) em todos os bancos;

* Remuneração fixa indireta:
– 14º salário;

– 13º auxílio-refeição;

– Auxílio-educação

– Aumento para um salário mínimo dos valores do auxílio-refeição, cesta-alimentação, 13ª cesta-alimentação e auxílio-creche/babá;

* Remuneração variável:

– PLR de três salários mais R$ 4 mil fixos;

– Contratação da remuneração total do bancário;

* Emprego:

– Medidas para proteger o emprego, como garantias contra demissões imotivadas, reversão e fim das terceirizações;

– Mais contratações para amenizar a sobrecarga de trabalho, acabar com as filas e melhorar o atendimento ao público.

SAÚDE E CONDIÇÕES DE TRABALHO

– Proteção à saúde do trabalhador, que inclua o combate às metas abusivas, ao assédio moral e à falta de segurança;

– Isonomia de direitos aos bancários afastados.

SEGURANÇA BANCÁRIA

– Portas giratórias com detectores de metais em todas as agências bancárias;

– Aumento do monitoramento de câmeras de vigilância;

– Aumento do número de vigilantes nas unidades;

– Cobrar a responsabilidade dos bancos no transporte de valores.

SISTEMA FINANCEIRO

– Combate à terceirização;

– Combate às resoluções do Banco Central a respeito dos correspondentes bancários.

ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO

– Estratégia geral da unidade da categoria;

– Comando Nacional coordena Campanha Nacional dos Bancários, mesa de negociação da CCT – Convenção Coletiva de Trabalho (mesa única) concomitante com as negociações específicas por banco.