CORONAVÍRUS: NÃO É SO UMA GRIPEZINHA E GOVERNO BOLSONARO PRECISA ENTENDER ISSO

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará


A aceleração do contágio do Coronavírus no Brasil ampliou o debate sobre o problema para além da perspectiva da saúde pública, incluindo os impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia. Uma coisa é fato: o Covid-19 aprofundou ainda mais a crise brasileira e mostrou ainda mais a incapacidade e total falta de projeto do governo Bolsonaro para o país, seja enfrentando uma crise sanitária desse nível, ou não. É bom destacar que, até poucos dias atrás, Bolsonaro simplesmente ignorava a epidemia, afirmando muitas vezes que ela não passava de fantasia, de “histeria da mídia brasileira” para criar pânico e prejudicar sua gestão.


Enquanto outros países, mundo à fora, anunciam medidas protetivas para trabalhadores e populações mais carentes, pensando sempre nas suas populações, o governo Bolsonaro anunciou um pacote de medidas priorizando, principalmente, o lado econômico da questão.


As medidas anunciadas pelo governo federal nos últimos dias são insuficientes e seguem a linha de austeridade adotada por este governo. Medidas essas que não melhoraram a economia do país, que vinha estagnada até a crise de saúde pública piorar a situação. Medidas que beneficiam empresários e não protegem os trabalhadores, ao contrário do que vem acontecendo em todo o mundo.


Consideramos inaceitáveis as medidas que visam reduzir salários e jornada. Desde 2016 a população já vem pagando a conta da crise com desemprego, trabalho precário e baixos salários. O governo não pode virar as costas para quem movimenta a economia e produz toda a riqueza do Brasil por meio do seu trabalho. Se a opção do governo for a de socializar prejuízos com os mais pobres e proteger os privilegiados, pode estar certo que contará com a decidida resistência dos trabalhadores.


As medidas voltadas às empresas são de adiamento de obrigações tributárias, carência em empréstimos e ofertas de recursos para o cumprimento de compromissos financeiros. Para nós é fundamental que os benefícios empresariais tenham como contrapartida a manutenção dos empregos. De nada serve gastar recursos públicos sem garantir a manutenção da atividade econômica e da renda do trabalhador. Pelo contrário, o presidente autorizou as empresas em reduzirem a jornada de seus trabalhadores em até 50%, com redução de salário. E a Gol Linhas Aéreas já anunciou que lançará mão desse artifício.


Queremos a revogação da EC do congelamento de gastos públicos, manutenção dos empregos em contrapartida as medidas voltadas às empresas, como adiamento de obrigações tributárias, carência em empréstimos e ofertas de recursos para o cumprimento de compromissos financeiros.


Hoje, a contaminação está se espalhando de forma alarmante. Segundo a Unicamp, o ritmo da disseminação no Brasil é igual ao da Itália semanas atrás – e está acelerando. O governo Bolsonaro precisa se convencer, de uma vez por todas, que é preciso tomar medidas urgentes e realmente efetivas para conter o coronavírus. Ao contrário, da omissão do governo federal, o Comando Nacional e o Sindicato dos Bancários têm tomado suas providências. Cobramos providências da Fenaban e conquistamos o Comitê de Crise; cobramos o Banco Central e foi aprovado o contingenciamento das agências; cobramos o governo do Estado do Ceará e o Ministério da Saúde para que esse contingenciamento seja respeitado e estamos aguardando a resposta. Se nós, bancários, podemos fazer alguma coisa, o governo federal também pode, e deve, fazer a sua parte. Não é só uma “gripezinha”.