CUT anuncia – Os trabalhadores não pagarão pela crise

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“Sem novas regras por escrito, sem leis que expressem de maneira clara a proteção dos empregos e que garantam que o dinheiro público que for usado para socorrer bancos, empresas ou setores em dificuldades não servirá para premiar banqueiros e especuladores, ficaremos apenas nas boas intenções. Por enquanto, o discurso do governo parece bom, mas não vi ainda nada por escrito”. Foi assim que o presidente da CUT, Artur Henrique, resumiu uma das principais preocupações da Central em relação à crise financeira e aos possíveis reflexos sobre a economia real brasileira.


As propostas compõem uma resolução que a Executiva Nacional aprovou no dia 6/11. Todas as bandeiras têm como objetivos principais a defesa do emprego, da renda e a manutenção das possibilidades de desenvolvimento econômico sustentável para o País. “Antes de mais nada, queremos dizer que os trabalhadores não pagarão os efeitos dessa crise, dessa irresponsabilidade do sistema financeiro”, enfatizou Artur.


Daí a necessidade, segundo a CUT, que as contrapartidas sociais que estabeleçam metas de manutenção e geração de emprego virem um item oficial, legalmente estabelecido, em todos os investimentos públicos em empresas, setores ou projetos. Isso vale, evidentemente, para os recursos que o governo federal tem colocado à disposição para socorrer instituições em dificuldades.


Apontando também para a preservação e ampliação do mercado interno, com a necessária capacidade de consumo para os trabalhadores, outra das reivindicações que a CUT apresentou e que vai encaminhar ao governo federal é a criação de um plano oficial que permita a rápida renegociação que trabalhadores e pequenos e médios empresários têm com bancos e sistema financeiro em geral.


“Até agora, tudo que se fala em torno da crise é sempre com a ótica do socorro ao sistema financeiro. É papel e dever da CUT, como maior central do País, trazer para o centro do debate a proteção aos trabalhadores e aos pequenos empreendimentos, estes essenciais para o mercado de trabalho”, disse o presidente.


A crise deve ser enfrentada também, ainda segundo a CUT, com a urgente redução do superávit fiscal, e com o uso desse dinheiro para ampliar os investimentos em projetos de infra-estrutura e em políticas de saúde, educação, segurança e valorização dos trabalhadores públicos. “O Estado tem de agir como indutor do desenvolvimento e investir o dinheiro para manter a economia em expansão”, afirmou Artur.


“Para nós o superávit fiscal tinha de acabar. Num momento de crise, tal política não tem a menor correlação com os problemas que vivemos hoje. O governo esconde esse dinheiro sob o manto do superávit fiscal. Queremos discutir que esse dinheiro deve ser aplicado em projetos que criem emprego e renda”.


Para fazer essas reivindicações e propostas chegarem ao governo, a CUT já solicitou audiência com o presidente Lula e com os ministros da área econômica e também já programou atos e mobilizações. “O governo tem ouvido empresários, banqueiros, o setor do comércio. Tem de ouvir também os trabalhadores”, disse Artur.