CUT participa com destaque do Fórum Sindical Mundial, no Senegal

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A Central Única dos Trabalhadores ocupou lugar de destaque nas mesas de debate do Fórum Sindical Mundial realizado no dia 5/2, na Universidade Cheikh Anta Diop em Dakar, capital do Senegal. A secretária nacional de Comunicação, Rosane Bertotti, dividiu mesa com o renomado intelectual e economista egípcio Samir Amin, enquanto Antonio Lisboa, diretor executivo da Central, participou do diálogo com Dramana Haidara, diretor adjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Sérgio Bassoli, da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL).


O evento dos trabalhadores reuniu cerca de 200 lideranças, contando com forte participação africana, em especial das organizações sindicais do Senegal e do Marrocos, que denunciaram o clima de opressão e perseguição existentes em seus países. Logo no início dos trabalhos foi feito um minuto de silêncio em homenagem à luta do povo egípcio contra Mubarack. O tema central foi, “o desenvolvimento da resistência e das alternativas populares frente ao neoliberalismo”.


Pela manhã, Antonio Lisboa debateu sobre “Políticas públicas como elemento de luta contra a fome e a miséria, a experiência do Brasil”. Líder dos professores de Brasília, tesoureiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Lisboa apontou os inúmeros avanços consolidados pelos movimentos sindical e social durante o governo Lula, sublinhando o papel da unidade e da mobilização dos setores populares para fazer a disputa de hegemonia, dando sustentação ao governo para que efetivasse compromissos assumidos.

À tarde, Rosane Bertotti debateu com Afid Fatna, da Organização Democrática do Trabalho do Marrocos, e Lahrach Touriam, da Confederação Democrática do Trabalho do Marrocos, sobre “O sindicalismo feminino frente aos novos desafios”. Rosane apontou que o compromisso da CUT não é apenas com a libertação da classe trabalhadora do jugo do capital, mas com a libertação da mulher trabalhadora da situação a que tem sido historicamente submetida. Daí, sublinhou, a relevância dos sindicalistas também priorizarem a questão de gênero em suas pautas de reivindicação. E apontou a importância da luta unitária dos trabalhadores e trabalhadoras em defesa de creches, pela ampliação da licença maternidade para seis meses, pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, por salário igual para trabalho igual.


A dirigente cutista também alertou para a necessidade da democratização da comunicação, elemento que considera essencial para fazer a ruptura com a manipulação, a desinformação e o preconceito. No caso brasileiro, apontou, “lutar por um novo marco regulatório é essencial para descortinar um futuro diferente, onde meia dúzia de famílias deixem de impor suas concepções reacionárias sobre o conjunto da sociedade, fortalecendo a opressão sobre as mulheres, os negros e os trabalhadores”.


Representante da CUT na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Rosane frisou ainda que é de “importância estratégica para o êxito da luta a articulação entre as entidades populares, onde se deixa de lado o sectarismo para pensar grande, na vitória do conjunto, do País e do povo brasileiro”. “A defesa da reforma agrária, de um Estado indutor do desenvolvimento, de mais recursos para as áreas sociais – como a saúde e a educação”, citou, “são exemplos de bandeiras que somam e necessitam muitas mãos para serem vencedoras”.


Convidado a compartilhar a mesa, Samir Amin ouviu atentamente as diferentes contribuições e assinalou que da mesma forma com que os tribunais europeus sustentam “de forma sistemática” sua visão antissindical, baseada na manipulação da opinião pública, é necessário fortalecer atividades que impulsionem à reflexão crítica e à ação propositiva e solidária contra o capitalismo. O intelectual egípcio saudou o papel do movimento operário no Brasil, apontou seu significado histórico e conclamou aos sindicalistas do mundo inteiro a manterem em alto as suas bandeiras, já que a defesa do salário, do emprego e dos direitos, é cada vez mais a defesa do interesse das nações e da própria humanidade contra a ditadura de algumas transnacionais e do sistema financeiro.