Da Necessidade de Uma TV Pública Brasileira (II)

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É evidente que o conhecimento assumiu, nesta época, uma importância incomparável a qualquer outro período da história. Conhecimento é poder e o povo precisa ter acesso amplo e irrestrito a ele que não é transmitido meramente pelos antigos ou novos currículos escolares. Os meios de comunicação de massa informam em quantidade, transmitem saberes, condicionam hábitos e influenciam na massa crítica cidadã, (ainda) em processo tímido de formação em nosso País.


Reflitamos apenas sobre a tentativa de implantação de uma TV Pública como iniciativa para oferecer a todo acesso, na medida do possível, de comunicação de qualidade. Será isso possível?


Alguns modelos de TVs públicas, estatais, universitárias, legislativas e comunitárias são uma experiência em curso a ser avaliada. Qual seu alcance e qualidade de conteúdo?


As TVs efetivamente públicas existentes não se consolidaram em audiência com uma programação de conteúdo completamente diferente da comercial. Têm baixa capacidade de formar cidadãos. É o reflexo de um processo histórico diferente de outros países. Aqui a TV pública surgiu em 1968 (AI-5!) quase vinte anos depois da comercial e sem autonomia. Inglaterra, Japão e França têm experiências bem sucedidas de TVs públicas que, às vezes, são preferidas às comerciais pelo grande público.


“As pessoas não deveriam ter de pagar para ter acesso a programas de qualidade. Queremos competir na qualidade e no profissionalismo. Precisamos ter uma TV que as pessoas tenham prazer de ver. Nós vamos fazer uma TV pública”. Esta foi a fala do Presidente Lula no encerramento do Primeiro Fórum Nacional de TVs Públicas realizado em Brasília, no mês passado.


Depois de ver uma articulação das grandes emissores imporem uma série de retrocessos nesta discussão, integrantes da sociedade civil e governo reagiram e decidiram ir em frente na luta por uma TV Pública. Que este impulso de luta organizativa se transforme em luta vitoriosa: a necessidade obriga.