Debate no Ministério Público do Trabalho reúne bancários, vigilantes e bancos

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A perigosa manipulação de valores por trabalhadores foi tema de um debate intermediado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) com representantes dos bancários, dos vigilantes e dos bancos. O encontro aconteceu em Brasília. As discussões haviam começado no dia 13/10 e a mediação foi proposta pelos representantes dos vigilantes em razão dos casos de mortes, feridos e traumatizados no abastecimento de caixas eletrônicos.


O mediador, o procurador-geral do trabalho Otavio Brito Lopes, analisou as considerações de cada uma das entidades sobre os três principais temas: transporte de valores, abastecimento de caixas eletrônicos e contagem de numerário por vigilantes.


A Febraban (Federação dos Bancos) alegou que não teve tempo para analisar o conteúdo do documento enviado pelos trabalhadores no dia 28/10, onde estão relacionados diversos casos de problemas ocorridos nos últimos meses, e pediu o adiamento do debate, que foi remarcado para 10/12.


Os bancos também argumentaram que agências contam com locais especiais para o estacionamento de carros fortes, o que aumentaria a segurança. Mas nem sempre isso acontece e não é o bastante. Os bancos precisam criar um sistema que não exponha os bancários e até mesmo os clientes no momento da reposição dos valores. O que se vê, muitas vezes, são os vigilantes empunhando armas dentro da agência com os malotes no chão durante o expediente bancário.

CONTRA A LEI – Outra admissão de erro dos bancos foi com relação ao número de vigilantes por agência. Eles admitiram que há locais com apenas um vigilante. Não importa o tamanho da agência, trata-se de uma admissão de que os bancos não cumprem a lei 7.102/83, que exige dois vigilantes por agência.


Outra informação dos bancos contestada pelos trabalhadores diz respeito às ocorrências policiais. Os bancos insistem no fato de que não teria havido ocorrências de violência envolvendo caixas eletrônicos em 2009, mas foi protocolado documento onde relatou-se detalhadamente os muitos casos, a falta de segurança no transporte de valores, alguns muito graves, que foram registrados este ano, especialmente nas operações de embarque e desembarque.


Espera-se que o MPT ajuíze para o próximo encontro um termo de ajuste de conduta que obrigue os bancos a vedar o transporte de numerário por bancários e que não exponha clientes à violência. Os bancos podem e devem criar uma logística de transporte que evite este tipo de risco.