Desafios e Conquistas

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Oito de março de 1857. Em Nova York, operárias de uma fábrica reivindicavam melhores condições de trabalho quando foram silenciadas por um incêndio no local. Cerca de 130 funcionárias morreram carbonizadas. Não foi acidente, foi repressão. Lembrado todos os anos, o evento lamentável deu origem ao Dia Internacional da Mulher em 1910, na Dinamarca, sendo oficializado pela ONU em 1975.


Comumente regado por flores e presentes, o Dia da Mulher carrega na sua essência a luta feminina por mais espaço e direitos na sociedade. Durante anos na história da humanidade, a mulher foi inferiorizada e considerada como simples objeto de reprodução. A sociedade moderna, com seus novos paradigmas, modernizou também a mulher. Mais consciente, ela começa a lutar por vez e voz.


Apesar da luta ainda estar em curso, são inegáveis a expressão e o papel central que as mulheres assumiram, seja na família ou na sociedade. Mas há muito mais a ser feito. “Creches públicas de qualidade, igualdade salarial entre homens e mulheres, a ratificação da Convenção 156 da OIT e uma maior participação da mulher na política são alguns eixos que a gente vem lutando para poder garantir a inserção das mulheres no mundo do trabalho”, lista Sebastiana Rodrigues, Netinha, presidente da Federação dos Trabalhadores Municipais do Estado do Ceará (Fetamce).


A convenção mencionada por Netinha, que trata de compatibilizar o trabalho entre os diferentes gêneros e raças, ainda não foi aprovada no Brasil. Buscando garantir aos homens e às mulheres a não discriminação no ambiente de trabalho devido às responsabilidades familiares, a Convenção 156 complementaria as conquistas em curso.


Um sinal do que já foi conquistado está na considerável presença feminina em ambientes e profissões, antes, predominantemente masculinas, disputando posições e cargos. Mas obstáculos ainda existem. Além de militante sindical, por exemplo, Netinha também é professora e afirma enfrentar desafios nas duas profissões, principalmente pelo fato de ser mãe, função de que não abdica. “Como professora, função assumida majoritariamente por mulheres, uma das maiores dificuldades é convencer as estruturas, na sua maioria machista, de que é uma profissão importante, necessária e que merece ser valorizada. E como sindicalista, o desafio também é grande. Eu tenho que me desdobrar para poder ser uma mãe exemplar, mas que isso possa estar junto com os compromissos que eu tenho que assumir”, diz.


Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que as mulheres, de fato, colocam os filhos e o trabalho no mesmo patamar: 52% das brasileiras veem em primeiro lugar os filhos e o emprego. Não abrir mão da maternidade, manter os espaços conquistados e buscar outras conquistas é a visão da mulher do século XXI. Há 154 anos, em terras nova iorquinas, a história das mulheres começou a ser reescrita e a tomar esse atual rumo, ganhando um capítulo desenhado por elas mesmas – quando passaram de coadjuvantes a protagonistas – e com um fim ainda em aberto.


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