Dia Internacional do Orgulho LGBTT: 40 anos de cores e irreverência

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Noite de 28 de junho de 1969. Bar gay Stonewall Inn, em Nova Iorque. Daquela vez a polícia não conseguiria pôr em prática seu pensamento homofóbico. Uma mulher lésbica resistiu à detenção e logo foi apoiada pelos presentes, que, cansados da opressão, atiraram garrafas, pedras e moedas contra os agentes. Pouco depois, cerca de duzentas pessoas somaram-se à resistência, que prosseguiu com três noites de manifestações. Nascia a militância coletiva pela livre vivência de orientação sexual. Exatamente um ano depois foi organizada a primeira marcha reivindicativa e celebrativa, assinalando o aniversário dos “motins do Stonewall” e estabelecendo o Dia Internacional do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual, Travesti e Transexual. Já o dia 17 de maio foi instituído como o Dia Mundial de Luta contra a Homofobia, pois nessa data, em 1995, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou da categoria de doenças o homossexualismo, considerando o termo certo “homossexualidade”.


Após 40 anos do início dessa história, o movimento de LGBTT se reinventou e se fortaleceu, espalhando suas cores por todo o mundo: Roma, Tel Aviv, São Francisco, São Paulo, entre outras grandes cidades. Já em Fortaleza, a 1ª Parada pela Diversidade Sexual aconteceu em 1999, contando com 500 participantes. Hoje, é o maior evento realizado por movimento social no Ceará e a terceira maior Parada do País, só perdendo para São Paulo e Rio de Janeiro. No ano passado, o número de participantes chegou a 800.000, segundo a Polícia Militar.


Este ano, a X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará rememorou as datas históricas do movimento, com o tema “1969… 79… 89… 99… 2009: A Luta Continua”. O movimento LGBTT também está comemorando os 20 anos do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), organização pioneira do movimento homossexual do Ceará.

HOMOFOBIA AINDA É FORTE NO CEARÁ – O Centro de Referência GLBT em Direitos Humanos Janaína Dutra, mantido pelo GRAB, divulga que, entre 1996 e 2008, 58 gays, lésbicas e travestis perderam a vida em decorrência de sua orientação sexual; menos de 1% dos assassinatos vai a julgamento pela Justiça. A luta contra a homofobia é travada em todas as frentes, inclusive no Legislativo. A Parada do Orgulho LGBTT divulgou a campanha Não Homofobia, que pede a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 122 / 126, de 2006, que criminaliza a homofobia – é possível votar pelo site www.naohomofobia.com.br. Se a lei for alterada, toda pessoa que sofrer discriminação em função de sua orientação sexual ou identidade de gênero poderá prestar queixa formal em qualquer delegacia, o que levará à abertura de processo judicial.

A POLÍTICA LGBTT – O movimento LGBTT pode ser considerado, assim como os movimentos feministas, de negros, etnias, como herdeiro de uma ruptura operada em 1968, a qual transformou a concepção de política, com a célebre máxima “o privado também é político”, ou seja, as questões que pareciam pertencer ao cotidiano e à esfera das afetividades são também políticas. Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC e coordenador do Núcleo de Pesquisas sobre Sexualidade, Gênero e Subjetividades (Nuss), Cristian Paiva, esses movimentos trazem uma concepção de política que vai além das tradicionais esferas deliberativas, perpassando o cotidiano, a vida das pessoas.

Para o professor e pesquisador, as Paradas Gays são estratégias de “visibilização” do movimento e têm sim uma dimensão de irreverência e festa, que é como um “choque perceptivo, cognitivo imposto à coletividade; isso diz que o segmento LGBTT está organizado”.

SERVIÇO:

GRAB – Rua Teresa Cristina, 1050. Centro – Fortaleza. Fonte: 3253.6197

www.grab.org.br – e-mail: grab@uol.com.br