Dilma acata proposta da Contraf-CUT de conferência sobre sistema financeiro

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Na reunião mantida dia 5/2 com a direção da CUT Nacional, no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff acatou a proposta da Contraf-CUT para a realização de uma conferência nacional sobre o sistema financeiro e sugeriu que seja ampliada para discutir também os direitos dos consumidores. Dilma ordenou ainda ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que receba o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, para discutir o processo de demissões e a reestruturação no sistema financeiro.


“A presidenta da República não só concordou com a proposta, como disse que vai trabalhar por ela e propôs ampliar a abrangência da conferência nacional. Além da discussão do papel dos bancos, da ampliação e do barateamento do crédito, a presidenta quer debater também na conferência os direitos dos consumidores, tanto no que diz respeito aos juros do cartão de crédito, do cheque especial e das tarifas, quanto em relação ao consumo das novas classes emergentes de todos os tipos de serviços, incluídos os dos celulares e telecomunicações em geral”, detalhou o presidente da CUT, Vagner Freitas.


Audiência com o ministro da Fazenda – Vagner Freitas também cobrou da presidenta Dilma o pedido de audiência ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, feito em dezembro do ano passado (logo após as demissões em massa no Santander) e reiterado no último dia 10 de janeiro. “A presidenta mandou o ministro Mantega receber a Contraf-CUT para discutir as demandas dos bancários”, informou o presidente da CUT. Nas cartas enviadas a Mantega, a Contraf-CUT reforçou a necessidade de debater o emprego no setor bancário, ameaçado com a redução de postos de trabalho nos bancos privados.


A intenção é buscar medidas para garantir a proteção do emprego dos bancários e a defesa dos interesses da sociedade. “Não aceitamos pagar a conta da pequena redução de juros. Os bancos podem aumentar os lucros emprestando mais com juros e spread ainda menores. Queremos um sistema financeiro sólido e forte, que amplie o crédito e que trate o emprego como fator de desenvolvimento”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.


Voz dos trabalhadores no G20 – Vagner pediu ainda que a presidenta Dilma ajudasse o movimento sindical a ter espaço e voz na próxima reunião de cúpula do G20, que acontece nos dias 5 e 6 de setembro, em São Petersburgo, na Rússia. Dilma disse que vai trabalhar para que uma delegação sindical internacional tenha direito de fala na próxima reunião do G20 e também para que os líderes sindicais sejam recebidos pelos chefes de Estado. Com a presidenta Dilma, a audiência já está garantida.


Marcha das centrais sindicais – Vagner Freitas classificou de “muito proveitosa” a reunião com a presidenta Dilma, no Palácio do Planalto, na qual ela também se comprometeu a receber os presidentes das centrais sindicais durante a marcha do dia 6 de março, em Brasília. “Isso nos dá a possibilidade de iniciarmos a discussão da pauta da classe trabalhadora, que inclui a jornada de 40 horas, o fim do fator previdenciário, o direito ao modelo de negociação salarial do setor público, a ratificação da Convenção 158 da OIT e a reforma agrária”, afirma o presidente da CUT.