Documento de 1999 mostra que PSDB queria privatizar bancos públicos

17

Um documento revelado na quarta-feira, dia 14/4, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), mostra que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, pretendia privatizar os principais bancos públicos brasileiros.


Se hoje o Brasil é credor do Fundo Monetário Internacional (FMI), naquela época a instituição financeira definia, ao lado do Banco Mundial, as políticas econômicas brasileiras, como confirmado pelo ofício de 8/3/1999 do Ministério da Fazenda.


O memorando de política externa do governo tucano lembra as privatizações de Meridional e Banespa, outrora estatais. “Com determinação o governo dará continuidade à sua política de modernização do papel dos bancos públicos na economia”, assinala o texto, que na sequência aponta que será entregue, ainda naquele ano, um estudo mostrando qual deve ser o papel de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES.


“Tratando de questões como possíveis alienações de participações nessas instituições, fusões, vendas de componentes estratégicos ou transformação em agências de desenvolvimento ou bancos de segunda linha”, prossegue o Ministério da Fazenda. No item 27, a administração do PSDB reforça que pretendia completar, ainda naquele ano, a privatização das empresas de energia e, em seguida, das redes de energia.


O governo do PSDB, que teve José Serra como ministro do Planejamento e da Saúde, teria dado sequência à venda não apenas dos bancos, mas da Petrobras, na avaliação de Samuel Pinheiro Guimarães, demitido à época do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty por ter criticado a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).


“A adoção de um acordo como a Alca – com tarifas a zero, impossibilidade de controle de fluxo de capitais, total abertura – teria levado, por exemplo, à privatização de todo sistema financeiro. Privatizariam o BNDES, Banco do Brasil, Petrobras; instrumentos que foram de grande importância na crise financeira”, pontuou Guimarães recentemente, hoje ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos.


Na gestão do PSDB em São Paulo, de quase duas décadas, além da passagem do Banespa à esfera federal e à posterior privatização, Serra, na qualidade de governador, vendeu a Nossa Caixa. A instituição acabou comprada pelo Banco do Brasil.