É com democracia, unidade e organização sindical que conquistamos

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Desde a criação dos sindicatos tivemos décadas de interrupções democráticas que impediram avanços nas conquistas dos trabalhadores.


Há trinta anos nossos trabalhadores bancários, através de seus sindicatos, iniciaram a construção de unidade nacional, pois todos tínhamos negociações e direitos diferentes. Criamos o Departamento Nacional dos Bancários na CUT para esta tarefa. Sem democracia não poderíamos avançar. Passamos a ter espaços democráticos nacionais para buscar unidade.


Há vinte anos conquistamos a primeira Convenção Coletiva garantindo os mesmos direitos, um mesmo contrato a todos os bancários de bancos privados com abrangência nacional. Os bancos públicos não aceitavam por ordem do governo que impôs, na época, referida política do reajuste zero, abono e milhares de demissões com constante ameaça de privatização. Foi negociando com a Fenaban que conquistamos PLR, cesta alimentação, vale refeição. Sem organização não teríamos conseguido.


Há dez anos conquistamos unidade nacional total nas negociações em um único contrato de abrangência nacional na CCT – Convenção Coletiva de Trabalho – para todos os bancários de bancos públicos e privados. E garantimos a manutenção de aditivos ao contrato suplementares em negociações específicas, por banco.


Exatamente nesse período, a conquista da PLR, cesta alimentação e vale refeição foram estendidos aos bancos públicos e, com todos juntos, vieram novas conquistas, como licença maternidade de 6 meses para mulheres, cláusulas de segurança, combate ao assédio moral, novas melhorias de PLR, 13ª cesta alimentação. Foi nessa época que a Conferência Nacional dos Bancários criou o Comando Nacional para organizar a estratégia de unidade e organização. Para construírmos juntos as pautas de reivindicações, negociarmos juntos, nos defendermos juntos com a força da greve e juntos contratarmos os direitos da importante categoria.


Os sindicatos são autônomos e independentes, mas sozinhos não detém correlação de forças adequada para ter os direitos que nós temos hoje e enfrentar o Setor Econômico que se organiza nacionalmente. Do maior ao menor município do País, os bancários têm os mesmos direitos. Por isso a unidade é tão importante. Somos referência para outras organizações sindicais, sendo parceiros e solidários às lutas por justiça social.


Hoje chegamos com Democracia, Unidade e Organização a dez anos de aumento real e resistência contínua aos ataques dos bancos, com grandes greves que apresentam essa disputa do capital versus trabalho à sociedade brasileira.


Mais uma vez, a força dos trabalhadores unidos nacionalmente conseguiu manter um modelo que é, sim, vitorioso e que temos a esperança que possa mudar este sistema injusto e explorador.


É nesta democracia, na participação dos trabalhadores, na disputa fraterna das opiniões e no contraditório que avançamos! Nossas assembleias cheias e soberanas e os sindicatos fortes garantem negociações coletivas que avançam na contratação de direitos.


Vamos à luta! Juntos, somos mais fortes!


Carlos Eduardo Bezerra Marques

Presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará