É PRECISO PENSAR A ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará


Do dia 6 até o dia 10/10, foi realizado o 13º Congresso Nacional da CUT, em Praia Grande (SP). Os mais de 2.000 sindicalistas de diversas regiões do país levaram ao evento os desafios e as perspectivas de luta pelos direitos dos trabalhadores que representam.


Como na época de sua fundação, a classe trabalhadora, a CUT e o movimento sindical vivem uma série de ataques, tanto institucionais e trabalhistas quanto sociais e econômicos. E como se não bastasse, precisam pensar a organização dos trabalhadores na diversidade regional, nas demandas de cada categoria, nas transformações do mundo do trabalho, nas mudanças da legislação que precarizaram as condições de trabalho, além da realidade política de cada local.


O principal debate de todo o movimento sindical brasileiro são os ataques contra os direitos da classe trabalhadora e contra as entidades sindicais. São ataques que visam destruir o meio sindical que é o legítimo representante e escudo de proteção do trabalhador para conseguirem destruir direitos conquistados com muita luta. Mas é preciso também se engajar na luta pela geração de mais emprego, pela igualdade, no combate às opressões e na defesa de uma educação libertadora e crítica.


Com o golpe de 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff (PT) foi destituída, o Nordeste foi uma das regiões que mais sofreu os impactos. Com os ataques aos direitos trabalhistas e mudanças do mundo do trabalho, é preciso uma nova estratégia, é preciso se reorganizar e fortalecer o movimento sindical. A nossa principal bandeira é se reinventar para enfrentar esta conjuntura e pensar estratégias de organização do cenário que está à nossa frente. Esse é o grande desafio.


Temos ainda que defender a Amazônia para o bem do clima e também em defesa da soberania e das próximas gerações. Além de se discutir sobre a criminalização da juventude, negra, periférica e do campo.


Ao final do Congresso, o metalúrgico do ABC, Sérgio Nobre foi eleito presidente nacional da CUT, com o até então presidente da Central, Vagner Freitas, assumindo a vice-presidência.


Será um período duro em consequência dos ataques aos direitos que a classe trabalhadora vem sofrendo desde o golpe de 2016, e mais fortemente nos últimos dez meses de governo de Bolsonaro. O Congresso foi realizado numa conjuntura adversa, difícil, que requer de todas as forças políticas a mais ampla unidade para enfrentar o fascismo neste país. Essa é uma tarefa que temos, de dialogar e de aglutinar o povo para tentar mudar a realidade deste país.