Em Fortaleza, funcionários do Itaú paralisam três agências dia 23/5

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Na quinta-feira, 23/5, funcionários do Itaú em Fortaleza paralisaram três agências, com o apoio do Sindicato dos Bancários do Ceará, para protestar contra o horário de atendimento estendido das unidades, as demissões e as metas abusivas que têm exposto os bancários a um ambiente de trabalho precário, inseguro e desumano. A paralisação ocorre em nível nacional, com a coordenação da Contraf-CUT e em parceria com as federações e sindicatos de todo o Brasil.


Durante todo o dia, o atendimento foi suspenso nas unidades da capital cearense onde o horário estendido foi implantado: na Rua Floriano Peixoto, na Av. Desembargador Moreira e na Av. Bezerra de Menezes. A insatisfação dos trabalhadores é com o formato do horário diferenciado e com a maneira impositiva da sua implantação.


“O horário estendido é uma reivindicação antiga. Mas a nossa ótica de horário estendido é diferente da ótica do banco. O nosso olhar é mais crítico, que prevê atendimento em dois turnos, garantia de segurança, mais contratações, respeito à jornada de seis horas – sem sobrecarga de trabalho, extrapolação de jornada e não-pagamento de eventuais horas extras – e fim das metas abusivas. O Itaú não tem essa visão sobre essas questões”, avalia Alex Citó, diretor do Sindicato e funcionário do Itaú.


Além de impor o horário diferenciado sem qualquer negociação com as entidades sindicais, o banco tem se negado a debater com os representantes dos funcionários sobre o assunto. Para o movimento sindical, o horário estendido, da forma como está posto hoje, além de prejudicar os trabalhadores não beneficia toda a população.


“Das 17h às 19h, por exemplo, só são atendidos clientes acima de um determinado patamar. Não é todo mundo que tem acesso à agência. Então ele faz uma exclusão. O que nós queremos é um horário que, além de manter a dignidade do trabalhador e que faça valer as suas conquistas e direitos, possa também atender a sociedade como um todo”, afirma Citó.


Demissões – Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato e representante da Fetrafi/NE na COE Itaú, destaca que o protesto também é contra os altos índices de demissões no banco, que desde a fusão com o Unibanco já ceifou mais de 15 mil postos de trabalho.


“Reivindicamos a manutenção do emprego e defendemos melhores condições de trabalho. Os funcionários sofrem, diariamente, com as metas abusivas e o assédio moral, e adoecem por conta disso. Não é justo um trabalhador ser demitido depois de 10 anos de esforço e competência dedicados a dar bons resultados para a empresa”, denuncia o diretor.


“Essa luta não é só dos trabalhadores. Tudo isso está relacionado também com um melhor atendimento para a população, que diariamente é submetida às longas filas de espera e um atendimento precarizado”, completa Ribamar.


Segurança – Fortaleza, assim como o Ceará como um todo, tem se destacado entre as estatísticas nacionais sobre insegurança bancária. O horário diferenciado do Itaú, sem as garantias de segurança, deixa bancários e clientes à mercê de um ambiente inseguro.


O atendimento na agência do Centro (Rua Floriano Peixoto), por exemplo, vai até as 19h – um horário crítico para um bairro predominantemente comercial e para uma cidade onde a Segurança Pública sofre desafios diários. “Se o atendimento é encerrado nesse horário, os funcionários devem sair por volta das 20h ou 20h30. Já foram registrados vários assaltos e arrombamentos de carros depois das 18h”, denuncia Alex Citó.