Empregados cobram respeito e valorização em negociação com a Caixa

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Os empregados da Caixa Econômica Federal cobraram mais respeito e valorização durante negociação da mesa permanente, ocorrida em 15/8. A negociação aconteceu no Dia Nacional de Luta, quando bancários protestaram em todo País, contra as medidas tomadas pelo governo ilegítimo de Temer, que causam o desmonte dos bancos públicos e dos direitos dos trabalhadores.


Na negociação, a CEE/Caixa entregou ao banco o Relatório do Contencioso, documento elaborado pela Fenae e Contraf-CUT, que apresenta um panorama do passivo trabalhista da Caixa e do impacto causado nos planos de benefícios, além de um registro do histórico de debates sobre o tema. Hoje, esse passivo representa um risco para a sustentabilidade dos planos de benefícios.


A Comissão reiterou o pedido de instalação de um Grupo de Trabalho para tratar de assuntos relacionados à Funcef e cobrou solução do contencioso. A Caixa havia concordado com essa reivindicação em 2015, mas o GT não avançou porque a fundação se recusou a participar das discussões.


BANCÁRIO TEMPORÁRIO – A revogação do RH 037 é uma reivindicação histórica dos empregados. Apesar de reafirmar que não tem intenção de utilizar o normativo para contratar trabalhadores terceirizados, a empresa se nega a revogá-lo.  O normativo foi atualizado no dia 3/8, para se adequar à Lei da Terceirização, permitindo a contratação de trabalhadores temporários sem vínculo empregatício com o banco, por empresas que fornecem mão de obra terceirizada, para a realização de tarefas de técnico bancário.


Outra medida contestada pela CEE/Caixa é a ampliação do programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) para todos os empregados. A medida está prevista na mais recente versão do normativo RH 205, que representa uma redação ambígua. O movimento sindical e associativo tem se posicionado contra o programa e reivindicado a sua suspensão, mas a Caixa não recuou.


REESTRUTURAÇÃO – Sobre reestruturação, a Caixa não apresentou detalhes sobre as medidas adotadas. Segundo denunciam os trabalhadores às entidades sindicais, o processo está afetando áreas estratégicas para o papel social do banco, como programas sociais, habitação e FGTS.  A CEE/Caixa cobrou posicionamento sobre fechamento de agências, a verticalização e o Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário. A Caixa alegou que não tem intenção de fechar agências de imediato, mas admitiu que 100 agências/unidades passam por “acompanhamento” e podem ser objeto de fusão ou fechamento. Questionada sobre mais contratação, a Caixa reafirmou que não haverá novas contratações, nem mesmo após o PDVE.


AVALIADORES DE PENHOR – A Caixa prorrogou o pagamento do adicional de insalubridade após cobrança dos representantes dos trabalhadores, que irão concluir estudo até o final de agosto sobre as condições de trabalho da categoria.


“Esses protestos realizados por todo o País e a nossa postura na mesa de negociação são sinais claros de que os trabalhadores da Caixa estão insatisfeitos com a intransigência da direção do banco e que estão dispostos a lutar. Só assim será possível manter nossos direitos e evitar retrocessos”
Marcos Saraiva, diretor do Sindicato, da Fenae e empregado da CEF