EMPREGADOS CONTESTAM INTENÇÕES DO GOVERNO COM FATIAMENTO DO BANCO

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De banco forte, promotor do desenvolvimento nacional, a Caixa Econômica Federal tornou-se o “puxa-fila” das privatizações brasileiras. É assim que a instituição vem sendo citada na grande imprensa nacional, após os sucessivos anúncios de fatiamento que a atual direção da empresa vem propagando ao mercado financeiro. A edição de 16/4 do caderno de Economia do jornal O Estado de São Paulo trouxe a seguinte manchete: “Caixa puxa fila da ‘redução do Estado’ e avança no preparo de venda de ativos”.


O texto da matéria se baseia nas últimas ações da direção do banco. Além de anunciar a venda de parte das áreas mais rentáveis (loterias, cartões, ativos e seguridade), o banco passou a se desfazer dos ativos de maior liquidez, a participação em outras empresas e fundos, o banco vendeu sua parte no IRB e agora se prepara para desfazer-se de parte da Petrobras. Segundo a reportagem do jornal paulista, a ideia é aproximar a atuação da Caixa à de um banco de investimento. A ideia é esvaziar os fundos governamentais, um por um, para enfraquecer o banco.


Segundo a reportagem, a “desova de ativos” por parte da Caixa mira também a abertura de capital da Caixa Seguridade, holding que concentra as operações do setor no banco. Concluída a reestruturação da área, o próximo passo será o IPO da rede de loterias, a depender do trâmite regulatório.  O de seguros vem na sequência, seguido pelo de gestão de recursos e pela operação de cartões. Serão vendidos ainda imóveis e agências por todo o país.


MESA PERMANENTE – Na sexta-feira, 12/4, os representantes dos empregados, através da Contraf-CUT, estiveram reunidos com o banco na primeira negociação após a reunião com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Por isso, a contratação de empregados, a retirada da participação da Caixa no Conselho Curador do FGTS e o ataque da direção contra a imagem do banco público dominaram a pauta da reunião, que aconteceu em Brasília (DF).


Os empregados cobraram que a Caixa cumpra o compromisso assumido pelo presidente do banco de fazer novas contratações até atingir o teto estabelecido pelo SEST de 87 mil empregados. A posição dos representantes da Caixa foi de que não há nenhuma posição oficial sobre contratações e que o assunto ainda está em estudo, mas que havendo algo será trazido para ser acordado em mesa. Enquanto isso, nas unidades, a rotina é de sobrecarga de trabalho.


Os empregados também protestaram contra a redução da participação dos trabalhadores no Conselho Curador do FGTS e a retirada da representação do banco nesta instância. Com uma faixa em defesa do fundo, os representantes dos empregados destacaram a falta de posicionamento da direção da Caixa sobre a medida. A Caixa limitou-se a alegar que cumpriu uma determinação do Ministério da Economia. Na reunião, os representantes dos empregados voltaram a cobrar melhorias nas condições de trabalho dos tesoureiros, respeito à jornada de trabalho nas agências digitais e melhorias no Saúde Caixa.


“Os empregados devem permanecer mobilizados em defesa da Caixa 100% Pública, por melhores condições de trabalho e em defesa dos nossos direitos historicamente conquistados. Precisamos estar unidos para não permitir o enfraquecimento da Caixa, pois é fundamental que os empregados e a sociedade em geral defendam a Caixa e as demais empresas públicas. O caráter público e social é importantíssimo para o país, o que faz do banco um patrimônio do povo brasileiro e é nesse rumo que a Caixa deve continuar”
Marcos Saraiva, diretor do Sindicato e da Fenae