Entidades cobram prevenção dos bancos contra sequestros de bancários

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A Contraf-CUT, federações e sindicatos cobraram no dia 30/7, prevenção da Fenaban contra os sequestros de bancários e vigilantes, durante a 3ª reunião deste ano da Mesa Temática de Segurança Bancária, em São Paulo. Trata-se de um dos principais problemas de insegurança e os casos ocorrem em todo País. Os dirigentes sindicais apresentaram um conjunto de propostas, e o representante da Fenaban solicitou um tempo para avaliação, a fim de aprofundar a análise das medidas. A próxima reunião da mesa temática será realizada após o final da Campanha Nacional.


“Propomos o fim da guarda das chaves dos cofres e das agências e dos postos de atendimento por bancários e vigilantes, a contratação de empresas de segurança para fazer a abertura e fechamento das unidades, a utilização de tecnologias de controle remoto para abrir e fechar os estabelecimentos e a instalação de câmeras para monitoramento de imagens em tempo real nas áreas internas e externas das agências e postos”, destaca Ademir Wiederkehr, coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.


“Também defendemos medidas pós-sequestro, como o fim das demissões e uma estabilidade provisória de 36 meses para as vítimas e a comunicação dos sequestros ao sindicato local e à Cipa”, ressalta. “É inaceitável que o bancário seja duplamente penalizado: uma pelo terror e trauma do sequestro e outra pela perda do emprego, muitas vezes por justa causa”, denuncia o diretor da Contraf-CUT. “Além disso, é preciso melhorar a assistência dos bancos à saúde dos bancários sequestrados, o que é objeto da Mesa Temática de Saúde do Trabalhador”, acrescenta.


Para Ademir, todas as propostas apresentadas são oportunas, necessárias e viáveis. “Os lucros gigantescos dos bancos permitem a ampliação dos investimentos em segurança, que têm sido insuficientes”, enfatiza. Ele salienta que várias medidas de prevenção já estão sendo implantadas por alguns bancos. “Não há motivo para não estendê-las aos demais e garantir mais segurança para bancários e vigilantes”, aponta.


“Esperamos que as propostas sejam analisadas pelos bancos, pois a segurança é uma das prioridades da Campanha Nacional dos Bancários 2012. Queremos avançar nas medidas de segurança previstas na Convenção Coletiva e a prevenção de sequestros é fundamental para proteger a integridade física e psicológica dos trabalhadores”, afirma o dirigente sindical.

Ocorrências – Na reunião, a Fenaban informou a ocorrência de 200 assaltos, consumados ou não, incluindo sequestros, envolvendo agências e postos de atendimento, em todo País, no primeiro semestre deste ano. Foi a primeira vez que os dados semestrais foram apresentados, resultado da cláusula 31ª (Segurança Bancária – Procedimentos especiais), da Convenção Coletiva de Trabalho de 2011/2012.


“Como não temos o número dos primeiros seis meses do ano passado, não podemos comparar a evolução da violência. Mas, levando em conta o total de 422 assaltos verificados em todo o ano passado, é possível projetar que a realidade não mudou em 2012 e, por isso, há necessidade de mais investimentos dos bancos na melhoria das instalações de segurança dos estabelecimentos”, frisa Ademir. No primeiro semestre deste ano, 27 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos em todo País, conforme pesquisa da Contraf-CUT e da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com base em notícias da imprensa, o que representa uma média assustadora de quatro vítimas fatais por mês.


Mesmo sem previsão na convenção coletiva, os dirigentes sindicais solicitaram os números de arrombamentos no período, bem como os dos crimes de “saidinha de banco” que começam dentro das agências. A Fenaban, porém, se negou a fornecer essas informações, alegando que tais dados não envolvem “relações de trabalho”.


“Não concordamos com essa desculpa da Fenaban, na medida em que arrombamentos e ‘saidinhas de banco’ mostram que as instalações são vulneráveis, geram sensação de insegurança e afetam a saúde de muitos trabalhadores”, disse Ademir.