ESQUARTEJAR A CAIXA ECONÔMICA VAI LEVAR BRASIL AO CAOS SOCIAL

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A Caixa Econômica Federal anuncia mais demissões, em novo programa de desligamento de empregados (PDE) com o objetivo de cortar 1.626 postos de trabalho. Já foram cinco programas de demissão ou de aposentadoria desde 2014. De lá para cá, a Caixa não contratou, sem falar dos que se aposentaram. São 16 mil vagas de trabalho nos últimos três anos. Isso automaticamente afeta as condições de trabalho de quem fica, porque não diminuem as demandas nas unidades.


Em dezembro de 2014, a Caixa Econômica Federal tinha 101.484 empregados para atender 78 milhões de clientes. Hoje são 86.427 e esse número deve cair para menos de 85 mil bancários para cuidar de 102,6 milhões de contas.


Segundo pesquisa Saúde do Trabalhador da Caixa, realizada em maio de 2018, a pedido da Fenae, comprovou que a redução de pessoal afeta as condições de trabalho, numa triste realidade: um em cada três empregados da instituição teve algum problema de saúde relacionado ao trabalho nos últimos 12 meses. As doenças psicológicas e causadas por estresse representam 60,5% dos casos.


EQUILIBRAR DESIGUALDADES – Nos últimos anos, os trabalhadores de um modo geral vêm sofrendo muitos ataques. E a visão de futuro é de preocupação. Os bancos públicos têm papel importante na sociedade. Quando se fala em vender esses bancos ou tirar seu papel, não é só a questão corporativa que preocupa. Quem é que vai executar os programas sociais no país?


A confirmação pelo governo Jair Bolsonaro de que Pedro Guimarães, um especialista em privatizações, presidirá a Caixa a partir de 2019 também preocupa. Indicado por Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, Pedro Guimarães é sócio do banco de investimento Brasil Plural e atua há mais de 20 anos no mercado financeiro na gestão de ativos e reestruturação de empresas. Na Caixa, especula-se que deverá iniciar sua gestão pela venda da área de cartões de crédito e de seguros.


DEFESA DA CAIXA – Em 2019, o Minha Casa Minha Vida para famílias com renda de até R$ 1.800,00 terá recursos muito baixos, com encolhimento de carteira para a população que mais precisa. Também haverá corte de verba para o FIES (financiamento estudantil) e está previsto o leilão da Lotex, que repassa 35% a 40% dos recursos para a Previdência Social, esporte e cultura. A privatização quer aumentar a premiação para quem ganha, mas reduzir os repasses sociais. Será um caos social se essas políticas todas forem implementadas como estão anunciadas.


“Convocamos empregados, entidades, todas as pessoas que sabem da importância da Caixa a se juntar e fazer o enfrentamento, porque ao que tudo indica vamos ter um esfacelamento do nosso banco. Até aqui, fazemos um prognóstico muito ruim do novo governo. Vamos precisar de muita união, muita resistência, porque o cenário que se avizinha não é nada bom para o trabalhador nem para a sociedade em geral”
Marcos Saraiva, diretor do Sindicato e da Fenae