Fenaban, intransigente, oferece proposta rebaixada. Bancários reagem com greve

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Não, não e não. É tudo que os banqueiros têm dito aos bancários durante as sete negociações que ocorreram entre o Comando Nacional dos Bancários e os representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).


Após as sucessivas negativas, que demonstram toda a intransigência dos banqueiros, o Comando Nacional, reunido na quarta-feira, dia 1º/10, em São Paulo, aprovou a realização de assembléias em todo o País para a próxima terça-feira, 7/10, com o objetivo de aprovar a deflagração de greve por tempo indeterminado em todo o Brasil, a partir do dia 8/10. “Diante dessa intransigência e da proposta apresentada (7,5%) na última reunião, considerada insuficiente pelo movimento bancário, a nossa resposta só pode ser uma só: greve. Parece que é só essa linguagem que os banqueiros entendem”, explica Carlos Eduardo, presidente interino do Sindicato.


No Ceará, a assembléia terá início às 19h. “Mesmo sendo o setor da economia que tem os maiores lucros, os bancos fizeram uma proposta rebaixada, imediatamente rejeitada pelos bancários em assembléias. Mas parece que os bancos não se mostraram sensibilizados e estão apostando no confronto. Sendo assim, não vamos abrir mão de lutar por nossos direitos”, afirmou Carlos Eduardo.


Na rodada de negociação que aconteceu dia 24/9, a Fenaban apresentou a proposta de reajuste de 7,5% (para uma inflação de 7,15% medida pelo INPC) sobre os salários e sobre todas as verbas sa-lariais, inclusive a PLR. O Comando rejeitou a proposta no ato da apresentação, por considerá-la muito abaixo das expectativas da categoria. “Deixamos claro que a proposta é inaceitável para os bancários porque está muito distante das reivindicações da categoria e não condiz com os resultados extraordinários dos bancos e nem com as propostas que outros setores empresariais, menos rentáveis que os bancos, estão fazendo a seus trabalhadores”, diz Vagner Freitas, presidente da Contraf/CUT e coordenador do Comando Nacional.


Os representantes dos bancários reiteraram que a proposta é inferior ao acordo do ano passado e insistiram para que os negociadores dos banqueiros apresentassem uma nova proposta para que pudesse ser submetida às assembléias da categoria. Mas não houve avanço.


O único avanço até agora foi com relação ao assédio moral. Os representantes dos bancários e da Fenaban chegaram a um entendimento quanto à necessidade de se combater as práticas de assédio moral nos locais de trabalho. Mas há ainda divergências que impedem a redação de um texto final sobre o acordo. Os bancos querem manter em sigilo os nomes de quem pratica assédio moral e os bancários não concordam com isso.


Carlos Eduardo ressaltou, no entanto, que apesar desse avanço, os trabalhadores têm que estar preparados para o enfrentamento. “Estamos aqui para conquistar efetivamente as nossas reivindicações e estamos preparados para o embate. Não fomos nós que construímos essa necessidade de greve, mas sim, a intransigência dos banqueiros e do governo”, concluiu.

CONFIRA AS PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES DOS BANCÁRIOS

• Aumento real – 13,23% de reajuste.

• PCS para todos.


• Fim das metas abusivas.

• Pisos salariais – Aumento progressivo, em três anos, até atingir o piso do Dieese.

• Aumento da PLR – Três salários mais R$ 3.500,00 para todos.

• Vale-refeição – R$ 17,50.

• Cesta-alimentação – R$ 415,00.

• Auxílio-Creche – Deve ter o mesmo valor do salário-mínimo (R$ 415,00).

• Novas conquistas – Auxílio-educação e a criação de um plano de previdência complementar fechado, com gestão compartilhada.

• Mais segurança nas agências.

• Eixos políticos – Defesa dos bancos públicos; ampliação do crédito produtivo para investimentos; redução da taxa de juros e regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal.