Fenaban negou haver demissões e não assume compromisso com emprego da categoria

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Na primeira rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2015, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, no dia 19/8, em São Paulo, os representantes dos bancos não assumiram compromisso com a manutenção dos empregos da categoria e ainda negaram haver demissões, afirmando que o sistema bancário teria um quadro de trabalhadores estável.


Os bancários reivindicam também o fim da rotatividade, o combate à terceirização, inclusive via correspondentes bancários, e a criação de um grupo de trabalho para discutir a automação, entre outros pontos da pauta. Os representantes dos bancos, no entanto, alegaram que não podem dar garantia de emprego aos bancários de todo o País.


Somente de janeiro a junho deste ano, de acordo com dados do Caged, o setor bancário cortou 2.795 empregos. Esse número aumenta para 22 mil quando analisado o período de janeiro de 2012 a junho de 2015. No início dos anos 1990, o Brasil tinha 732 mil bancários. Em 2013, esse número caiu para 511 mil, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego.


“A primeira negociação tratou de um tema essencial para os trabalhadores, mas o sistema financeiro não tem interesse em negociar a garantia no emprego. Os bancos insistem em dizer que demitem pouco, mas se utilizam dos correspondentes bancários, que retiram o emprego da categoria e o transfere para outros lugares mais precarizados e com menores salários. A rotatividade e terceirização servem para eles aumentarem cada vez mais seus lucros”, disse Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional.


“Cobramos mais responsabilidade social do setor, para contribuir com a geração de empregos do País e eles podem fazer isso contratando mais e oferecendo taxas de juros mais baixas para o setor produtivo. Os banqueiros deixaram bem claro na negociação que são a favor do projeto de terceirização que tramita no Senado. Eles são a favor e nós somos radicalmente contra”, lembrou o presidente da Contraf-CUT.


Fenaban negou haver demissões – A Fenaban negou haver demissões no momento e seus dirigentes também se mostraram contrários à Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que disciplina o término de contrato de trabalho pelo empregador e determina a necessidade de justificativas para a dispensa. “Isso nunca deu certo”, alegou Magnus Ribas Apostólico, diretor de Relações Trabalhistas da entidade patronal.


Segundo ele, o sistema bancário teria um quadro de trabalhadores estável, se comparado ao de anos atrás e acentuou que não haveria motivos para preocupação com demissões. E as fusões entre bancos também não estariam causando demissões, na avaliação do diretor da Fenaban.


A segunda rodada de negociações do Comando Nacional dos Bancários com a Fenaban acontecerá nos dias 2 e 3 de setembro, com os temas saúde e condições de trabalho.


Lucro dos bancos – O lucro líquido dos cinco maiores bancos atuantes no País (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander), nos três primeiros meses do ano, atingiu a marca de R$ 16,3 bilhões, com crescimento de 21,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os principais itens do balanço desses bancos comprovam o sólido desempenho do setor. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 12% atingindo o valor de R$ 27 bilhões.


Neste primeiro semestre, os balanços já divulgados (Itaú, Bradesco, Santander e BB) somaram R$ 29,8 bilhões, crescimento de 20% em relação a mesmo período do ano passado. Para os empregos, no entanto, curva descendente: 5.004 postos a menos em 2014 e 2.795 no primeiro semestre de 2015.