Formação é fundamental para um jornalismo mais plural e de qualidade

13

Era 15 de março de 1995 foi quando cheguei ao Campus do Benfica para o primeiro dia de aula no curso de jornalismo da Universidade Federal do Ceará. Apesar das dificuldades enfrentadas pela falta de investimentos nas universidades públicas, tive quatro anos de intenso aprendizado. Convivi com professores que marcariam minha história para sempre. Foram lições, sobretudo de ética, que fazem parte do meu cotidiano mais de 15 anos depois. Não me venham agora dizer que esse tempo foi desnecessário ou irrelevante e que bons jornalistas têm de se formar somente “no batente”.


Acreditar que o mercado se autorregula e que escolhe só os melhores é uma expectativa, no mínimo, arriscada. O diploma para o exercício do jornalismo representa certa salvaguarda de que a atividade seja feita por quem preza pela qualidade, se pauta pela ética e atua em defesa do interesse coletivo. Claro que essas não são condições inerentes a todos que passam pelo curso universitário de jornalismo. Ainda há muito a ser melhorado na maior parte dos cursos de graduação na área. Entretanto, a busca dessa formação mais sólida em um curso superior, que vai além da mera técnica do lide, pode levar às redações pessoas mais preparadas para a busca de um equilíbrio entre a precisão, a ética e a urgência do fechamento.


A obrigatoriedade do diploma não limita a liberdade de expressão, uma vez que não impede que especialistas opinem. O jornalista tem por dever levar ao seu texto, áudio ou imagem e som televisivos várias visões sobre uma pauta. É algo que não se aprende em cursos de fim de semana. Isso tem de ser ensinado nas escolas de jornalismo e, depois, consolidado nas redações com a convivência com profissionais mais experientes. Produzir conteúdo jornalístico exige técnica, checagem, compromisso com a informação. Novas mídias jamais dispensarão velhas, mas necessárias, regras jornalísticas.


Além de demandar formação específica, a atividade do jornalista precisa retomar suas origens e ser um meio para compreender melhor a sociedade. Buscar a responsabilidade social que parece ter deixado de ser importante diante da invasão de textos de puro entretenimento. A formação é o que garante haver minimamente profissionais preparados para exercer esse papel de mediação e tentar fazer valer o interesse público.

Cristiane Bonfim – Jornalista, editora de Nacional/Internacional do jornal Diário do Nordeste e ex-diretora do Sindjorce