Funcionários são constrangidos ao passar por revistas diárias

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Os funcionários do Banco do Brasil lotados no Sertão Central do Ceará denunciaram ao Sindicato dos Bancários o assédio moral que estão sofrendo dentro do banco: são realizadas revistas diárias, ao entrar e sair do banco, quando são obrigados a apresentar o conteúdo de bolsas e sacolas. As denúncias foram realizadas durante as visitas preparatórias para o Encontro Regional daquela região e os gestores alegam questões de segurança para revistar os bancários.


As mulheres são as que se sentem mais constrangidas, pois muitas vezes têm que expor peças íntimas e utensílios de higiene pessoal e até mesmo os itens de alimentação antes de entrar nas unidades.


O Sindicato dos Bancários, que é totalmente contrário a qualquer espécie de assédio moral, irá levar a denúncia à Ouvidoria Interna do banco e acionar a Superintendência do BB para que apure os fatos e tome as devidas providências.


São Paulo – Um caso semelhante vinha ocorrendo no Complexo São João, em São Paulo, onde os funcionários eram obrigados a passar pelo detector de metais, além de terem suas bolsas reviradas pelos seguranças. Após uma denúncia, o Sindicato de São Paulo solicitou o fim da prática, mas, inicialmente, somente os contratados deixaram de sofrer a revista. O Sindicato voltou a intervir em prol dos terceirizados e a prática foi abolida por completo.

Respaldo jurídico – Segundo palavras do procurador do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, Carlos Casagrande, publicadas pela Revista Consultor Jurídico (31/5/2005), “nos dias de hoje, em face dos valores da Constituição de 88, a defesa do ‘direito’ do empregador em proceder a revista sobre o corpo do empregado e seus pertences só se explica pela permanência culturalista de uma triste herança da escravidão, que não podemos mais tolerar no atual contexto democrático de pleno respeito aos direitos civis”.