Funcionários sofrem com metas e mudanças nas regras do programa Agir

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O programa AGIR, ligado à remuneração variável dos funcionários do Itaú, tem deixado os bancários descontentes. Além das pressões para o cumprimento de metas, os bancários vêm sofrendo com contabilizações erradas de pontos e mudanças unilaterais nas regras por parte do banco.


De início, o problema já surge quando gestores cobram que funcionários cumpram 1200 pontos do programa para que recebam alguma remuneração variável. O número ultrapassa a meta real do AGIR, que seria de 1000 pontos. Além disso, as contabilizações têm sido feitas de forma incorreta, retirando pontuação dos trabalhadores. Da mesma forma, mudanças de regras promovidas pelo Itaú, unilateralmente, também têm prejudicado muitos bancários das Emps (segmento de atendimento a empresas) e das agências.


A situação chega ao ponto de o banco cobrar metas que não serão pontuadas no programa sem que os trabalhadores sejam previamente avisados. Há também denúncias de mudanças de regras que retiram pontos de bancários que estariam elegíveis a receber a remuneração caso não fossem feitas as alterações.


Os representantes dos funcionários, por meio da Comissão de Organização dos Empregados (COE-Itaú), já cobraram do banco a discussão sobre as regras do AGIR. O Itaú, porém, segue se negando a negociar.


COE ITAÚ – A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu com o banco dia 23/3, em São Paulo. Os Centros de Realocação e Requalificação Profissional, previsto na cláusula 62 da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, foi o principal ponto de pauta tratado. A representação dos empregados quer criar um centro de realocação por estado e saber o número de vagas em cada um para permitir o acompanhamento pelos sindicatos. A cada três meses a COE e o banco vão se reunir para tratar sobre o Centro de Realocação e Requalificação e a questão do emprego.


Quanto às homologações, a COE Itaú apresentou a reivindicação sobre a manutenção das homologações das rescisões pelos sindicatos em suas sedes.  O banco disse que não se opõe à assistência do sindicato no ato da rescisão, mas reafirmou a intenção de manter a forma de rescisão que vem realizando. A COE solicitou que não havendo a possibilidade de realizar as homologações nas sedes dos sindicatos, que o banco promova as rescisões de forma centralizada em um único local e informe ao sindicato local com antecedência. O objetivo é coibir perdas de direitos aos trabalhadores.


“Os funcionários estão muito descontentes com o AGIR e com a forma que o programa vem sendo conduzido pelo banco para intimidar e pressionar os trabalhadores. Queremos discutir o programa para que ele seja aplicado também em benefício dos bancários. Quanto aos centros de realocação e as homologações com presença dos sindicatos, o que queremos é garantir que todos os direitos dos trabalhadores sejam respeitados”
Francileuda Pinheiro, diretora do Sindicato