Ganhos reais e garantias extras têm sido destaque nos últimos anos

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Durante os últimos anos, os trabalhadores brasileiros, especialmente os bancários, vêm tendo reajustes acima da inflação do período. Em 2005, por exemplo, os acordos salariais com índices iguais ou acima do INPC foram de 72%, enquanto que em 2002 (último ano de FHC) esses mesmos índices ficaram em 53%.

Em 1994, no governo Itamar, ano de implantação do plano real, o INPC apontou inflação de 9,74%, enquanto a Fenaban apresentou reajuste de 16% (6,26% de ganho real), o BB de 13,69% (3,95% de ganho real) e a Caixa Federal 13,71% (3,97% de ganho real). Já em 2002, a realidade foi outra: a inflação era 9,16% e a Fenaban fechou um acordo abaixo da inflação: 7%, enquanto BB e CEF apresentaram apenas 5% de reajuste.

O ganho real ganhou força no governo Lula. Em 2005, por exemplo, a inflação segundo o INPC foi 5,01%, enquanto Fenaban, CEF, BNB e BB fecharam os acordos salariais com 6% de reajuste. A convenção coletiva deste ano garante reajuste de 3,5% no salário e em todas as verbas de natureza salarial (incluindo vale-refeição e outros benefícios). A inflação do período ficou em torno de 2,85%. Os ganhos foram consideráveis também no que diz respeito à PLR.

Técnicos do Dieese fizeram uma análise do impacto da inflação baixa sobre as negociações salariais. Foram apresentados gráficos que demonstram como a reposição das perdas no período hiperinflacionário não representa um ganho para a categoria, já que os salários são corroídos tão rapidamente que seu poder de compra médio no ano fica abaixo do observado na atual situação. A pequena diferença nos vencimentos, observada hoje, provoca uma “decepção” nos trabalhadores, já que a lembrança da época de inflação alta deixou marcas na maneira de entender o processo de negociação salarial.

Segundo os técnicos, o grande problema dos salários não é mais a reposição da inflação. Dentro deste quadro, o que o movimento sindical deve buscar é encontrar novas formas de fazer crescer o poder aquisitivo dos trabalhadores, que não passem simplesmente pelo reajuste dos salários. A implementação de programas de PLR interessantes e garantias de estabilidade no emprego, por exemplo, são formas de proteger a classe trabalhadora e garantir ganhos que realmente façam diferença no dia-a-dia.