“Gonzaga – De Pai para filho” marca centenário do Rei do Baião

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“Minha vida é andar por esse país, pra ver se um dia descanso feliz”… os versos inspiraram o diretor carioca Breno Silveira, o mesmo de “2 Filhos de Francisco”, a contar para o público um pouco da história do Rei do Baião, Luiz Gonzaga (1912-1989), no ano de seu centenário, no filme “Gonzaga – De pai para filho”. Para os poucos espectadores que já viram (o filme foi apresentados em alguns festivais pelo Brasil em caráter de pré-estreia), a viagem introspectiva do cantor e compositor Gonzaguinha (1945-1991) para entender quem foi seu pai, Luiz Gonzaga, é um filme de “proporções continentais”. Para quem fez o longa nascer trata-se de uma aventura de esforços épicos.


O longa, rodado em 35mm, tornou-se o trabalho mais complexo da Conspiração Filmes, que operou em dupla com a D Mais Filmes. Foram ao todo dois mil figurantes e cem atores em papéis de destaque, sendo que Gonzagão, retratado em três épocas, foi revezado entre Land Vieira (dos 17 aos 23 anos), o sanfoneiro Nivaldo Expedito de Carvalho, o Chambinho do Acordeom (dos 27 aos 50), e Adélio Lima (aos 70). “No dia em que anunciei nas rádios do Nordeste que estava à procura de candidatos para viver Gonzagão, mesmo sem experiência como ator, recebemos cinco mil inscrições”, conta Silveira, que entregou o papel de Gonzaguinha a Alison Santos (dos 10 aos 12 anos), Giancarlo Di Tommaso (17 aos 22) e Julio Andrade (35 aos 40), protagonista do cult “Cão sem dono” (2007).


Diretora-executiva da Conspiração, Eliana Soarez lembra que as filmagens impuseram desafios desde o início, pela opção de se reconstituir o Brasil dos anos 1920 aos 80, com fotografia de Adrian Teijido, de “O palhaço”.


Ainda em cartaz com “À beira do caminho”, eleito melhor filme no Cine PE, em maio, Silveira levou sete anos para tirar do papel “Gonzaga”. “Filmei e lancei ‘À beira do caminho’ no meio do processo. No começo, havia questões entre os herdeiros de Gonzaga e as filhas do Gonzaguinha. Juntei as duas partes num jantar e saímos de lá com ambas unidas, após contar o que eu queria: narrar o processo de descoberta de um dos maiores ídolos populares deste país pelo filho”, diz Silveira, que prepara uma minissérie para a Rede Globo a partir do material bruto do filme.


Previsto para entrar em circuito no dia 26 de outubro, com 400 cópias, o longa nasceu de uma caixa de fitas cassete em que Gonzaguinha conversa com o pai. Elas foram entregues a Silveira por Marcia Braga, produtora, e Maria Rachel, que participa do roteiro, escrito por Patrícia Andrade (fiel parceira do cineasta) com colaboração de George Moura. O diretor também usa o livro “Gonzaguinha e Gonzagão – Uma história brasileira”, de Regina Echeverria.


“A questão de ‘Gonzaga’ é que ele trata de um homem que uniu o país inteiro com sua música. Rodando o Brasil de cabo a rabo, sempre havia um lugar tocando Gonzagão. Ele é uma lenda do tamanho do Brasil”, diz o diretor. “A história dele e do filho é muito bonita. Meu compromisso foi tentar reproduzir essa beleza, com carinho”.