Governo quer reduzir fatia do Banco do Brasil no crédito agrícola

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O governo Jair Bolsonaro se prepara para reduzir a participação do Banco do Brasil no crédito agrícola. Segundo o jornal Valor Econômico, o intuito é diminuir o tamanho do banco público, “abrindo mais espaço para atuação de instituições financeiras privadas e para o mercado de capitais”. “Queremos fazer com o BB o que estamos fazendo com o BNDES”, disse ao periódico o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues.


Hoje, o Banco do Brasil responde por 60% do crédito agrícola. É responsável por financiar a agricultura familiar por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que responde por 70% da produção de alimento consumido pelos brasileiros, a juros módicos, que variam entre 2,5% e 5,5% ao ano.


Também ouvido pelo jornal, o presidente do BB, Rubem Novaes, que costuma fazer pouco caso da empresa, admite que o banco deve perder participação de mercado. Mas comemora, por outro lado: “a competição é sempre bem-vinda”, declarou.


O BANCO DA AGRICULTURA FAMILIAR – A tentativa do governo Bolsonaro de reduzir o papel do BB na agricultura é um atentado à segurança alimentar e ao Brasil. A agricultura familiar responde por 70% dos alimentos que vão para a mesa da população. Esta é uma mudança que pode trazer muitos riscos e encarecer drasticamente o preço dos alimentos.


“Além dos prejuízos à sociedade, como o aumento dos preços dos alimentos, por exemplo, para os funcionários do BB isso pode significar novas reestruturações e reduções das áreas dedicadas. Se o governo quer fazer mudanças no BB que abra o debate com participação dos trabalhadores, consumidores e produtores”, afirma Bosco Mota, diretor do Sindicato e funcionários do BB.