Greve dos bancários: seis dias de resistência

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A maioria dos bancários do Ceará parou durante seis dias dentro da greve nacional por tempo indeterminado da categoria. O número de trabalhadores que aderiu ao movimento no Brasil equivale a quase 50% do total de bancários no Brasil, chegando a cerca de 190 mil. A greve, instrumento legítimo dos trabalhadores, conseguiu arrancar dos banqueiros negociação que lhes garantiu índice de reajuste com ganho real.

“A greve foi muito forte desde o primeiro dia e os bancários estão de parabéns. O movimento aconteceu no Brasil inteiro e isso foi fundamental para que os banqueiros se sentissem pressionados e atendessem nossas reivindicações”, disse Marcos Saraiva, presidente do Sindicato dos Bancários do Cea-rá, avaliando como positiva a participação efetiva da categoria.

O dirigente destaca, entretanto, que a intransigência dos banqueiros foram os pontos negativos da greve, além dos interditos proibitórios que os banqueiros conseguem na Justiça para impedir a mobilização dos bancários. Infelizmente, os bancos continuam usando o seu poder econômico para cercear um direito legítimo e democrático dos trabalhadores.

Apesar das manifestações pacíficas, a PM voltou a protagonizar cenas de violência. Em São Paulo, frente a uma agência do ABN/Real e em duas do Unibanco, a Polícia Militar ameaçou os manifestantes a mão armada. No Ceará, a Polícia foi chamada para intimidar os bancários e fazer cumprir os interditos. Em Fortaleza, foi acionada Polícia para os bancos Itaú, Unibanco e Santander.

Proposta aceita – Na 8ª rodada de negociações, os banqueiros fizeram a terceira proposta econômica, com reajuste de 3,5% no salário e em todas as verbas de natureza salarial (incluindo vale-refeição e outros benefícios). A PLR também melhorou. A proposta prevê a distribuição de 80% do salário, já reajustado, mais R$ 828 na parte fixa, uma parcela adicional que será de 8% da variação nominal do lucro líquido de 2006 em relação a 2005, distribuído linearmente para todos os funcionários, com teto de R$ 1.500. Para os bancos que tiverem um aumento de pelo menos 15% na lucratividade, fica garantido o mínimo de R$ 1.000.A novidade fica por conta da regra básica que será paga em sua totalidade (80% do salário mais R$ 828) em até 10 dias após da assinatura da Convenção Coletiva.