Grito dos Excluídos: Movimentos sociais clamam por igualdade

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No dia da questionada independência brasileira, cerca de 10 mil pessoas se reuniram para gritar. A caminhada de homens fardados na avenida Beira-Mar foi substituída por outra na Parangaba, mais engajada. Com o tema “Brasil: na força da indignação, sementes de transformação”, o Grito dos Excluídos 2006 ecoou dos quatro cantos do bairro até chegar ao Ginásio Poliesportivo da Parangaba, onde muitos artistas de vários movimentos sociais colocaram criativamente suas reivindicações.

No palco, os rapers Jean e Caio, do grupo Farol Rap, deram seu grito: “Discriminação é constante na favela / Se eu vou à procura de um emprego / Sou descartado assim que vêem meu endereço”. Na quadra, catadores de material reciclável clamavam por direitos profissionais; mulheres negras faziam o questionamento: “de onde vem o seu racismo?”. Juntos em um grito só, pela igualdade de todas as crenças, raças, sexualidades.

Raimundo Nonato (o João) milita no Movimento dos Atingidos por Barragens. Segundo o militante, só pelo Castanhão (no Vale do Jaguaribe), foram 4 mil famílias atingidas.

Uma das maiores lutas do Movimento dos Conselhos Populares (MCP) de Fortaleza, atualmente, é por políticas públicas municipais. Segundo o universitário Marcos Bentes, que participa do MCP, o grupo critica a democracia representativa e reivindica por frentes de serviço.

O primeiro Grito foi organizado em 1995 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). De inciativa da igreja católica, o evento reúne, atualmente, vários movimentos sociais que possuem suas lutas próprias.

As faixas denunciavam, só em Fortaleza, 174.506 desempregados, 800.000 pessoas morando em 600 favelas e 1.236 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2003 e 2006.