Há algo mais no ar do que meros aviões de carreira

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Por cerca de vinte anos, o PSDB comandou politicamente o Ceará. Foram cinco governos consecutivos, iniciados a partir de 1986 com a primeira vitória de Tasso Jereissati. Entre tantas propostas aquelas mais destacadas como prioridades eram o combate à pobreza, a modernização da máquina administrativa e uma nova industrialização no Estado.


A modernização conservadora se estabeleceu. Os incentivos fiscais atraíram algumas empresas que não renderem os empregos projetados. Perdeu-se a COELCE, a TELECEARÁ e o BEC. Além disso, se atravessou uma crise de grande monta no Banco do Nordeste – somente agora saneado.


Embora a Rede Globo insista que o único grande problema nacional hoje estão nos aeroportos, mostrando a “rebeldia” dos controladores de vôo, omitindo que o Ministério Público do Trabalho detectou carência de 600 deles para um trabalho minimamente regular no tráfego aéreo. Apesar da amostragem repetitiva de cenas de violência, principalmente no Rio de Janeiro. Apesar de tentarem embotar nossa visão sobre o curso de nossa história mais recente, é nossa obrigação política a conjuntura estadual, por exemplo, recuperando alguns dados como resultado do “Mudancismo” local.


Consideremos, então, quantos são os pobres em nosso Estado. Segundo dados do Laboratório de Estudos da Pobreza (UFC), em 2005, o Ceará teve uma proporção de 53% de pessoas consideradas pobres, que corresponde a 4.570.485 indivíduos. São pessoas que ganhavam menos do que R$ 154,36. No ranking nacional dos Estados com maiores índices de pobres, o Ceará foi o vigésimo segundo nos anos de 2004 e 2005. Quanto ao número de indigentes, eles são gritantes. São indigentes os que recebem menos que metade da linha de pobreza do Estado em que residem. Em 2005, no Ceará, esse valor seria de R$ 77, 18, representando assim 2.388.389 pessoas. O Ceará ocupa o décimo oitavo lugar.


O governo Cid Gomes esteve nos dias 29, 30/06 e 01 de julho num Fórum seleto de cerca de 300 pessoas para projetar um Ceará desenvolvido, sustentável e justo. Certamente qualquer projeto passa por superar essa pobreza que vem sendo diminuída a conta-gotas enquanto persiste a concentração de renda e mesmo uma pista que aponta para além dos programas de transferência de renda e assistenciais – por mais que reconheçamos sua necessidade pontual. O desafio é construir pontes para além da assistência, o que certamente levará a medidas estruturais, que mexam com a economia do País e do Estado – saindo do rentismo para o mundo da produção – e combatendo a concentração de renda, entre outras coisas inadiáveis. Os sinais de esgarçamento sociais assinalam que pouco tempo resta para uma saída pacífica. É hora de aproveitá-la.