Heloísa Helena e a tática da direita

68

A direita brasileira está eufórica e excitada. Não que o seu candidato, o seguidor da seita fascista Opus Dei, Geraldo Alckmin, tenha finalmente deslanchado nas pesquisas eleitorais. Pelo contrário. Todos os institutos confirmam sua estagnação na disputa presidencial. O fato novo que deu tanto alento à oposição liberal-conservadora foi o aparente crescimento da candidatura da senadora Heloísa Helena, que encabeça uma chapa composta por três partidos de frágil densidade eleitoral e de baixo enraizamento social (PSOL, PSTU e PCB). Sem escamotear a sua tática diversionista, a direita encara este “fenômeno” como a única forma de viabilizar um segundo turno e não esconde sua intenção de inflar esta “oportuna” candidatura! Logo que soube da “ascensão” da senadora, Alckmin soltou rojões: “Eu e a Heloísa Helena somos menos conhecidos e a tendência é que as duas candidaturas cresçam, garantindo a realização do segundo turno. Tenho respeito pela candidatura da senadora”. Já um dos novos ícones da direita, Reinaldo Azevedo, editor da falida revista Primeira Leitura, explicitou a manobra tática.

No ápice da sua arrogância, ele ainda deu conselhos à senadora. “Se sou do PSOL, torço, evidentemente, para que o Alckmin vença a disputa pela Presidência por razões muito objetivas. O PT estando fora do poder, Heloísa Helena tem alguma chance de ter relevância no cenário de esquerda. Aí a luta se estenderá às franjas do poder petista, nos sindicatos e outras organizações da sociedade civil. Mais: a chance de o PSOL continuar existindo, com a cláusula de barreira, é a sua candidata ter bom desempenho nas urnas”. Noutro texto, insiste: “Ah, a mulher vai dar trabalho. Sobretudo ao PT. Como ela não é tonta, já sabe que, se Alckmin ganhar, fica mais fácil para seu partido crescer no terreno em que pode crescer: à esquerda”.

Na avaliação unânime dos especialistas em campanhas eleitorais, o repentino crescimento da candidatura de HH – o novo rótulo da senadora – decorreu da sua forte exposição na mídia nas últimas três semanas. Enquanto o presidente Lula se mantém preso ao cargo e seu partido encerrou seus anúncios na televisão, PSDB e PFL aproveitaram seus programas para fustigar o governo. Já a senadora surgiu em raia própria com inusitado destaque na mídia.

Como tão bem caracterizou o sociólogo Emir Sader, o PSOL é “um estranho casamento de esquerdismo com eleitoralismo”. E Heloísa Helena continua percorrendo o país, sempre com a generosa exposição na mídia. Caso vire um risco real ao candidato tucano, a mesma mídia que hoje a beatifica fará de tudo para destruí-la – como já fez com um pobre “garotinho” que apareceu com chifres e rabo de demônio na abjeta revista Veja.

Altamiro Borges – Jornalista, editor da revista Debate Sindical