Hora de definição (parte II)

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“O certo é que Luís Inácio Lula da Silva deve se cuidar, pois está cercado de traíras e em torno de si o sistema está tecendo a mesma trama que urdiu contra Getúlio Vargas. Não deve vacilar, convoque o povo em sua defesa. Se cair na ilusão de que os mecanismos institucionais são neutros vai ter uma desagradável surpresa. Até boicotar a votação do Orçamento da União, unicamente para bloquear o governo e impedir que cheguem recursos aos programas sociais (sem se importar com o desespero das famílias assistidas) os conspiradores estão fazendo. Esse pessoal não tem escrúpulos, nem coração. A História já comprovou isso”. (“O Povo, 16/04/06).

O pensamento acima não é de nenhum prócer do PT. É a voz quase solitária, em terras cearenses, do jornalista Valdemar Menezes. Com toda razão ele nos alerta para a encruzilhada histórica em que estamos metidos. O conservadorismo em suas várias dimensões (parlamento, meio empresarial, meios de comunicação) prossegue inescrupulosamente tentando interromper ou impedir as ações do governo Lula. E o Presidente resiste. É chegado o momento da cidadania ativa se expressar contrariamente às elites. Sabem os trabalhadores e os cidadãos de bem de nosso país que o caminho das transformações populares é longo e árduo. Sabem claramente que não há caminho a ser palmilhado sob a batuta de PSDB/PFL. Não permitir retrocessos é a condição para avançarmos.

A altivez no cenário internacional e o prosseguimento no combate à pobreza se consolidarão num segundo governo Lula ou no retorno dos tucanos? E estes nós os conhecemos bem há mais de vinte anos. Prometeram acabar com a pobreza e quase acabam com os pobres. Arrotam hipocritamente falas moralistas enquanto tiveram administrações escabrosas no Banco do Nordeste (“a era Byron”) e no BEC (“a era Monteiro Alencar”). Que se apresentem os projetos, as propostas e as alternativas para a educação, para a saúde e para a segurança pública. Bloquear esta discussão programática é a tática dos conservadores que precisa ser imediatamente derrotada para que, em seguida, se expresse a pluralidade legítima de propostas em torno das quais os brasileiros se pronunciem afirmativamente.