Idoso é desrespeitado no seu direito de ir e vir

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O Estatuto do Idoso existe desde 2003, mas muita gente ainda faz vista grossa para os direitos dos idosos, especialmente nos transportes públicos de Fortaleza. “Eu perguntei ao motorista se ele não tinha pai”, desabafou o aposentado Francisco Galdino, 78 anos, que caiu após entrar em um ônibus, devido a uma freada brusca. Francisco conta que é comum dar sinal ao ônibus na parada, sem êxito, ou vir em pé no transporte, “agarrado pra não cair”.

A aposentada Salomé Rodrigues afirma que, “graças a Deus”, tem “sorte” nos ônibus. “De Topic, eu não gosto de andar, porque às vezes fazem confusão pra aceitar a carteira do idoso. Mas nos ônibus, eles me tratam muito bem, me chama até de vovó, de tia”, conta. Salomé culpa a falta de educação de alguns idosos pelo mau atendimento nos transportes coletivos. “É preciso a gente saber tratar as pessoas. Eu digo: ‘meu filho, dê uma paradinha ali’, e eles param. Se eu for me zangar, ele vai dizer: ‘ô, véa antipática’”, opina.

Dona Salomé pode até ter razão, mas muitas das reclamações que chegam ao “Alô, Idoso” (0800.850022) não estão relacionadas ao contato desrepeitoso entre motoristas e passageiros. A maioria está relacionada ao descumprimento da lei que permite o acesso do idoso pela porta da frente. “Eu canso de dar sinal, mas os ônibus não param. Só consigo subir quando o motorista é obrigado a parar pros (passageiros) novos”, reclama Francisco.

O Estatuto do Idoso prevê gratuidade para maiores de 65 anos nos transportes coletivos públicos urbanos e semi urbanos. Para isso, o idoso só precisa apresentar ao motorista um documento de identidade. Segundo a presidente do Conselho Estadual do Idoso, Vejuse Alencar, algumas empresas obrigam que seja apresentado o documento “Passe Livre”. “A gente recebe denúncias nesse sentido, mas a grande maioria das empresas já aceita qualquer documento. A gente avalia que é tornar mais difícil para o idoso fazê-lo ir até a sede do Sindiônibus” (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Ceará), onde é fornecido o documento que garante a gratuidade. O Conselho recebeu o apoio da Secretaria de Segurança Pública, que agora vai destacar com uma tarja o documento de identidade das pessoas com mais de 65 anos.