Juros dos bancos continuam altos e não acompanham queda da Selic

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Sempre que a sociedade cobra a redução dos juros, os banqueiros argumentam a mesma coisa: a culpa é da Taxa Básica que o governo mantém nas alturas. Mas dados divulgados na última semana pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostram que o discurso dos banqueiros é engodo e que a Selic pode cair à vontade que os bancos continuarão explorando os clientes.

Segundo a Anefac, os juros cobrados no mercado de pessoas físicas e empresas não estão acompanhando os cortes promovidos pelo Banco Central na taxa básica de referência da economia (Selic). Em março último, por exemplo, o BC promoveu um corte de 0,75 ponto percentual na Selic, mas as taxas médias cobradas de pessoas físicas ficaram estáveis em 7,54% ao mês, enquanto os juros pagos pelas empresas, na média, aumentaram 0,02 ponto percentual em relação a fevereiro, para 4,44% a mês.

Em fevereiro, segundo estudo elaborado pela Folha de S. Paulo foi constatado que em todo o mundo, não há um país em que os bancos cobrem juros tão altos como no Brasil. O levantamento incluía 107 países a partir de dados coletados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “O papel dos bancos deveria ser o de fomentar o desenvolvimento e o crescimento econômico, gerando com isso mais empregos e uma maior distribuição da renda nacional. Mas, ao contrário, os bancos promovem o aumento da concentração da riqueza, pois além de ser pequeno o percentual destinado às linhas de crédito, o que é emprestado é um verdadeiro escândalo, provocando o endividamento brutal das famílias e inviabilizando uma série de empreendimentos”, afirmou Vagner Freitas, presidente da Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT).