Liberdade e autonomia se constrói com igualdade

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Há 10 meses foi publicado um artigo com o seguinte título “Paridade entre homens e mulheres no PT é um exemplo a ser seguido”. De lá pra cá o debate sobre paridade na CUT se espalhou por todo País. Evidente que ao tocar no tema das relações de poder, em lugares de tomada de decisões, apareceram resistências que demonstram a existência de um arraigado machismo ou resistência ao compartilhamento do poder, mas podemos dizer sem medo de errar que esse tema passou a ser apropriado, a ser debatido por mulheres e homens de todas as correntes políticas. E é justo reconhecer que desde o início contamos com o apoio de vários homens nessa empreitada.


Hoje é senso comum que paridade não é apenas uma questão numérica. É uma política que ao ser aplicada terá como resultado a construção da igualdade, porque implica em reconhecer que as mulheres são discriminadas e tratadas de forma desigual no trabalho, na vida e no movimento sindical. Esse reconhecimento exigirá mudanças nas práticas que afastam as mulheres das atividades sindicais e na incorporação de uma nova concepção de trabalho, que considere o trabalho realizado pelas mulheres no âmbito familiar e doméstico na definição da política sindical.


Ainda é um desafio para a CUT fazer cumprir o estatuto e aplicar a política de cotas de gênero para os órgãos diretivos da estrutura vertical, as delegações aos congressos e outros âmbitos de deliberação. Ao mesmo tempo, é tarefa de todo sindicalista garantir a transversalidade de gênero em todas as políticas, atividades e espaços da CUT. É necessário que a CUT assuma que as desigualdades de gênero e a divisão sexual do trabalho na sociedade são empecilhos ao pleno desenvolvimento e autonomia das mulheres e incorpore a luta por creches e escolas de período integral como uma luta prioritária.


Se nós, na CUT, queremos de fato modificar a relação de poder no movimento sindical devemos considerar a paridade entre homens e mulheres fator fundamental para iniciarmos uma mudança na concepção política e sindical. Reconhecer que Liberdade e Autonomia se constrói com Igualdade exigirá compromisso em incorporar a igualdade de sexo na composição das direções das CUT´s estaduais e da Nacional e inserir essa resolução nos estatutos desde já, para demonstrar o real compromisso com a democracia e a igualdade.

Rosane Silva – Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT e Rosana Sousa, secretária de Juventude da CUT